Actualidades
Maio de 2000

Mártires chineses
Por: Redacção



Roma apresta-se a canonizar 120 mártires chineses, facto que veio encher de alegria a Igreja universal. Metade dos futuros santos foram martirizados nas perseguições que ensanguentaram o solo chinês nos séculos XVII e XVIII e a outra metade é mais recente, martirizada na era dos Boxers, já no século XIX, e que, por apresentar situações menos claras, atrasaram o processo de elevação aos altares.

Os Boxers, que se opunham à abertura da China ao Ocidente, constituíam uma seita pseudo-religiosa, fomentada pela mãe do imperador, que começou a aterrorizar os ocidentais, acusados de terem tomado conta do comércio e, através dos Tratados Desiguais, subtraído pedaços do território chinês à jurisdição do Império. Por causa disso, os missionários sofreram a sorte de todos os ocidentais. Os cristãos chineses, por seu turno, eram obrigados a abjurar, a cuspir nos crucifixos, a denunciar os sacerdotes e as religiosas. Calcula-se que os mártires dos Boxers atingiram os 30 mil.

A revolução dos Boxers terminou com o cerco militar a Pequim e a pressão sobre as potências ocidentais anteriormente autorizadas a estabelecer entrepostos comerciais e a evangelizar. Por isso, a história oficial chinesa fala da evangelização como «um instrumento nas mãos do imperialismo». Este refrão será depois explorado pelos comunistas de Mao Tsé-Tung para abalarem a estima de que missionários e missionárias gozavam entre o povo. É provável que tenha sido exactamente o receio de desencadear uma nova ofensiva do Partido Comunista Chinês contra a Igreja «imperialista» e o desejo de incrementar as relações entre Roma e Pequim que adiaram até agora a canonização.

A decisão de canonizar estes mártires veio repor a verdade dos factos, pois embora a revolução dos Boxers tenha misturado o destino dos missionários com o de todos os comerciantes ocidentais, o estilo de vida de uns e outros era completamente diferente. Enquanto os comerciantes se estabeleciam nas grandes cidades e nas zonas francas gozando os prazeres da vida e enriquecendo, os missionários disseminaram-se pelas zonas mais remotas e mais pobres da China, promovendo novas culturas agrícolas para combaterem a fome, avançadas técnicas médicas para tratar doenças e novos hospitais, até então desconhecidos. Foram ainda os missionários a criar as primeiras universidades (em Xangai e em Pequim) e as primeiras escolas para raparigas, cuja educação era retida como «uma despesa inútil» pela cultura imperial.

Entre os futuros santos encontram-se, além dos missionários, algumas dezenas de mártires chineses.

 

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