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Actualidades
Setembro de 2001

O desafio da pobreza na África austral
Por: Redacção



«A nossa região está devastada pelo medo e conflito. Nas partes onde o conflito civil ainda não chegou, a população sofre de uma guerra não declarada, ou seja, a violência criminal. Os pobres é que pagam o preço mais alto», afirma a Associação Inter-Regional de Bispos da África Austral (IMBISA) no comunicado final da sua assembleia plenária. Reunidos em Harare, no Zimbabwe, nos primeiros dias de Agosto, os bispos católicos de Angola, Botswana, Lesoto, Moçambique, Namíbia, África do Sul, Suazilândia e Zimbabwe analisaram a situação que se vive na sua região e manifestaram-se particularmente preocupados com os efeitos da guerra, o aumento da pobreza e a degradação da educação.

Conscientes dos efeitos que a guerra e a instabilidade provocam e que enumeram – «pobreza, miséria, crime, refugiados ou deslocados, paralisação da agricultura, inflação galopante e violência contra as mulheres» –, os bispos imploraram «o fim imediato da guerra» em Angola e a necessária estabilidade política para toda a região, sem a qual, afirmam, «não haverá investimentos nem emprego, e nem sequer produção de riqueza».

A guerra não é a única raiz dos males da África austral. Também a pobreza está a provocar «desorientação e desespero», numa região em que «cerca de 60 por cento da força laboral está desempregada» e «na maior parte dos países não existem pensões de reforma». Os bispos apontam ainda a fome, a corrupção, o desemprego e a sida, «que está a devastar os jovens e as famílias», como sendo outros factores de crise.

A educação também é vista de modo muito sombrio: «Moral baixo entre os professores, pobres condições, pobreza e má administração condenam milhões das nossas crianças à ignorância. Enquanto que umas nascem cegas, outras se tornam cegas por falta de educação. Apenas a educação torna capaz um povo de ser sujeito e não objecto da história.»

Para os prelados, «a Igreja tem contribuído grandemente para o bem-estar do nosso povo, especialmente nas áreas da educação e da saúde». Todavia, não estão completamente satisfeitos com o que ela tem feito: «Até certo ponto, a Igreja é um “gigante adormecido”.» E explicam porquê: «Temos muitos recursos e pessoal dedicado, temos os próprios pobres que são tesouro da Igreja, mas precisamos de canalizar devidamente e implementar estes recursos.»

Um futuro melhor depende de todos e de cada um. Por isso, os bispos, em nome da Igreja, dizem-se dispostos a «colaborar com os governos nos seus esforços para criar a estabilidade, assegurar a paz e servir o bem comum».

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