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Em Primeira Pessoa
Fevereiro de 1999

De volta ao jornalismo
Por: Redacção



O padre David Glenday foi superior geral dos combonianos. Terminado este serviço partiu para as Flipinas. Aprendeu a língua local e agora prepara-se para ser o novo director da revista missionária «World Mission».

 

Cheguei a Manila (Filipinas) são e salvo no dia 27 de Abril do ano passado. Este foi realmente um oportuno tempo para chegar, devido a vários acontecimentos.

Primeiro pela temperatura: graças ao “El Niño”, experimentei recordes de temperatura (à volta dos 37 graus) que, combinadas com elevadas percentagens de humidade, faziam com que desejasse dormir logo depois do pequeno-almoço.

Depois, e mais ou menos contemporaneamente, realizaram-se as eleições presidenciais e as celebrações do centenário da independência filipina de Espanha: a cobertura mediática destes dois acontecimentos permitiu-me recolher bastante informação da minha nova pátria.

Sendo escocês, um dos primeiros obstáculos a ter que ser ultrapassado foi o de conduzir pela direita... Os meus colegas, movidos pelo medo, penso eu, de serem constantemente requisitados como “chauffeurs não assalariados”, uniram-se e colocaram-me ao volante. Felizmente o trânsito de Manila desloca-se tão vagarosamente e aplica tão criativamente o Código das Estradas que as minhas inaptidões não provocaram acidentes de maior. Hoje sou um orgulhoso possuidor da minha própria carta de condução filipina.

Normalmente, quando um missionário chega a um novo posto, é autorizado a dispor de algum tempo para se aclimatar ao novo ambiente e esse foi também o meu caso. Apesar de muitos filipinos falarem inglês, a língua nacional aqui é o tagalog e eu pedi para usar o meu tempo inicial para o aprender. Durante Maio, Junho e Julho tinha duas lições diárias na nossa casa e assim fiz razoáveis progressos. A experiência tem-me ensinado que o melhor professor é a prática e, por isso, no início de Agosto mudei-me para Mayapa, uma paróquia dos padres salesianos, a cerca de 60 km de Manila, numa área onde o tagalog é falado.

Os três meses que lá passei foram uma grande bênção sob vários pontos de vista.

No que respeita à língua, o pároco pôs-me imediatamente à prova pedindo-me para celebrar a Eucaristia na igreja paroquial (com uma assembleia de aproximadamente 800 pessoas).

A língua é, sem dúvida, a melhor porta para nos aproximarmos das pessoas e para mim foi também o carril para me sentir gradualmente mais à vontade na conversação e aprender mais a maneira de ser e de viver dos filipinos.

Recomeçar o trabalho missionário foi, desta vez, bastante diferente, sob vários aspectos, daquele que fiz no Uganda como padre em 1982. Mas gosto de pensar que realmente as lições que aprendi das pessoas em Gulu e Campala estão a ajudar-me agora. Dei-me conta que, no mais positivo e profundo sentido da palavra, eu sou um “hóspede” aqui nas Filipinas e isso ajuda-me a não idealizar ou tomar por descontado o acolhimento e a bondade com que o povo filipino me aceita. Várias vezes penso nas palavras do Papa João Paulo II quando diz que o povo, ao permitir que o sirvamos, está a mostrar-nos a sua misericórdia. É um privilégio partilhar as suas alegrias e sofrimentos e maravilhar-se com a sua generosidade e perseverança.

Como em muitos países do Sul, a pobreza crónica de muitas famílias filipinas está a aumentar devido à crise que a economia asiática atravessa. Lia, há dias, que os países do mundo que têm 90% das doenças têm somente 10% dos recursos médicos. Aqui as pessoas dizem ironicamente “bawal magkasakit” – (é proibido ficar doente), porque não têm possibilidade de pagar os tratamentos no hospital. O meu tempo em Mayapa confrontou-me, face a face com esta e outras dificuldades deste povo filipino.

O meu tempo introdutório já acabou. Agora estou atarefado em adaptar-me ao meu novo trabalho como editor da nossa revista missionária “World Mission”. Feita a pensar em toda a Ásia que fala inglês, a revista pretende encorajar as igrejas asiáticas a partilharem a sua caminhada e experiência de fé com o resto do mundo. Realmente este tipo de partilha é uma preciosa contribuição para a estima e o entendimento mútuo entre as diferentes culturas. Apesar de ter feito um trabalho semelhante no Uganda, este trabalho será um grande desafio para mim, mas estou seguro que será também uma enriquecedora oportunidade para conhecer melhor a Ásia, os seus povos e culturas.

Naturalmente, procurarei combinar o meu trabalho na revista com o trabalho pastoral entre o povo filipino. O trabalho pastoral não deverá ser bastante difícil de encontrar, sobretudo numa cidade com mais de dez milhões de habitantes.

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