Página Inicial







Actualizar perfil

Em Foco
Janeiro de 2007

Diálogo inter-religioso: O desafio do nosso tempo
Por: RAMIRO LOUREIRO DA CRUZ, Missionário comboniano



O diálogo inter-religioso é o grande desafio que se apresenta hoje à Igreja, de um modo particular neste mundo da globalização que se está a afirmar perante os olhos estupefactos tanto dos que a aprovam como dos que dela discordam. Alguém já vai dizendo que não estamos simplesmente perante uma época de mudanças, mas sim de uma mudança de época.

 

Confrontados com o choque de civilizações, que ameaça levantar-se no horizonte dos começos do século XXI, os olhares viram-se para as religiões que delas fazem parte como componentes substanciais. As religiões são, por isso, chamadas a contas. «Não haverá paz entre as nações sem a paz entre as religiões. Não haverá paz entre as religiões sem o diálogo entre as religiões. Não haverá diálogo entre as religiões se não se investigam os fundamentos das religiões» – assim nos apresenta o tema Hans Küng na primeira página do seu último livro O Islão – História, Presente, Futuro.

O diálogo inter-religioso é um tema que se foi impondo gradualmente a partir dos debates verificados na aula conciliar, desde 1962 a 1965. O Papa Paulo VI começou a sua primeira encíclica Ecclesiam Suam de 1964 dizendo que «a Igreja faz-se palavra, mensagem, colóquio… A origem transcendente do diálogo está na mesma intenção de Deus. A Revelação, quer dizer, a relação sobrenatural instaurada com a humanidade, pode ser representada num diálogo com que o Verbo de Deus se expressa na Encarnação e, portanto no Evangelho». A esta justificação teológica do diálogo oferecida por Paulo VI, e na mesma direcção, seguiram-se os documentos conciliares Lumen Gentium, Ad Gentes, Gaudium et Spes e sobretudo Dignitatis Humanae e Nostra Aetate. 

Podemos considerar que a porta de abertura para a reflexão sobre o diálogo inter-religioso, que viria a desenvolver-se posteriormente, está nestas palavras do concílio que diz, no número 22 da Gaudium et Spes: «E o que fica dito vale não só para os cristãos, mas para todos os homens de boa vontade, em cujos corações a graça opera ocultamente… Com efeito, já que por todos morreu Cristo e a vocação última de todos os homens é realmente uma só, a saber, a divina, devemos manter que o Espírito Santo a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhecido.» Os teólogos não têm tido tarefa fácil ao tentar oferecer pistas para uma compreensão desta afirmação conciliar e do papel das outras religiões em relação com a salvação operada por Cristo. Trata-se de uma salvação pessoal em cuja acção toma parte também a comunidade social e religiosa a que a pessoa está ligada.

A declaração Dignitatis Humanae veio consagrar a liberdade religiosa e afirmar a dignidade da consciência que deve ser respeitada. A declaração Nostra Aetate, por seu lado, afirmou a estima e o reconhecimento que a Igreja Católica tem pelos valores presentes nas outras religiões, expressamente no Hinduísmo, Budismo, Islamismo, Judaísmo. Estas «reflectem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens». A declaração conciliar não ignora a herança histórica das contendas com o Islão: «Surgiram entre cristãos e muçulmanos não poucas discórdias e ódios, e este sagrado Concílio exorta todos a que, esquecendo o passado, sinceramente se exercitem na compreensão mútua e juntos defendam e promovam a justiça social, os bens morais e a paz e liberdade para todos os homens.»

 

Conhecimento recíproco

 

O diálogo inter-religioso não era só teoria a expor mas compromisso a assumir. Por isso, de imediato, se pensou em criar, em 1964, um organismo operativo: o Secretariado para os Não Cristãos, a que viria a suceder mais tarde o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso. Presentemente, o cardeal Poupard preside a este Conselho, juntamente com o Conselho para a Cultura. Há lógica na união dos dois conselhos, por via das relações entre ambos e entre religiões e culturas. Corremos o risco de confundir as coisas, quando não se sabe distinguir o que é problema cultural e problema religioso, e o que é do âmbito profano e do âmbito especificamente religioso.

O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso elaborou dois documentos que marcaram o caminho do diálogo: Diálogo e Missão, de 1984, e Diálogo e Anúncio, de 1991. Sobretudo este último tratou de aspectos muito específicos. No número 9 definiu o diálogo como «conjunto das relações inter-religiosas, positivas e construtivas, com pessoas e comunidades de outros credos para um conhecimento mútuo e um enriquecimento recíproco». Sublinhou, no número 14, que o diálogo requer «justa e correcta avaliação teológica das outras tradições religiosas». Chamou a atenção, no número 17, para a «presença de valores positivos não só na vida religiosa de cada crente das outras tradições religiosas, mas também nas mesmas tradições religiosas a que eles pertencem... presença activa de Deus pelo Verbo e a acção universal do Espírito». Elogiou, no número 27, as experiências genuínas das religiões, como a oração, dizendo que «toda a oração autêntica é suscitada pelo Espírito Santo, o qual está misteriosamente presente no coração de cada homem, quer seja cristão quer não». Valorizou, no número 29, a ascese e as práticas religiosas, afirmando que «é através da prática daquilo que é bom nas suas próprias tradições religiosas, e segundo os ditames da sua consciência, que os membros das outras religiões respondem afirmativamente ao convite de Deus e recebem a salvação em Jesus Cristo mesmo se não o reconhecem como o seu Salvador». Sugeriu também, nos número 32 e 36, a oportunidade de uma certa autocrítica, a fazer pelos cristãos, ao sublinhar que «os próprios cristãos devem aceitar ser postos em discussão... o modo como compreendem a própria salvação e a vivem pode ter necessidade de purificação»; e ao admitir que «a Igreja mesma «enquanto “instituição humana e terrena,” e não só os seus membros, tem sempre necessidade de renovação e reforma». E concluiu, no número 41, que «o diálogo sincero supõe aceitar reciprocamente a existência das diferenças, ou também das contradições e respeitar a livre decisão que as pessoas tomam em conformidade com a própria consciência».

 

Formas de diálogo

 

O mesmo documento passa, depois, a descrever as diversas formas de diálogo. Podemos descrevê-las e enumerá-las da seguinte forma. Antes de mais temos o «diálogo de vida». A vida moderna põe as várias religiões em contacto constante. Por exemplo, hoje com o fenómeno das migrações, facilmente todos fazemos a experiência de ter de tratar, trabalhar e conviver com pessoas de outras culturas e confissões religiosas. Depois, temos o «diálogo de obras»: por esta expressão entendemos o diálogo que se estabelece quando pessoas de diferentes tradições religiosas se unem para realizar iniciativas sociais e humanitárias em colaboração. Seguidamente, falamos de «diálogo dos intercâmbios teológicos», a forma de diálogo que se revela muito preciosa para superar incompreensões e preconceitos. Por último, e nesta linha de pensamento e acção, falamos também de «diálogo das experiências religiosas», a forma de diálogo mais enriquecedora mas que exige também o acompanhamento mais cuidadoso.

No número 48, o documento recorda o que o diálogo exige aos cristãos: «os cristãos não se devem esquecer que Deus também se manifestou de qualquer modo aos seguidores das outras tradições religiosas» e que «a plenitude da verdade recebida em Jesus Cristo não dá aos cristãos individualmente a graça de terem assimilado de modo pleno essa verdade... devem estar dispostos a aprender e a receber dos outros... os valores positivos das suas tradições... vencer os preconceitos inveterados, rever as ideias preconcebidas e aceitar que a sua fé seja purificada».

 

Visão positiva

 

Os documentos sobre o diálogo e a reflexão que se lhes seguiram apresentam o diálogo como um factor positivo, de aprofundamento da própria fé, e não como elemento negativo que a leva a enfraquecer. O Diálogo e Anúncio, no número 50, diz mesmo que «o diálogo, longe de lhes enfraquecer a fé, torná-la-á mais profunda... compreenderão mais claramente os elementos distintivos da mensagem cristã e a presença operante do mistério de Jesus Cristo para além dos confins visíveis da Igreja e do rebanho cristão».

É caso para recordar o refrão: «Quem conhece uma religião só, não conhece nenhuma religião.» Nesse sentido são de louvar os esforços que se estão a fazer para preparar manuais de educação religiosa que ajudam os professores e catequistas a passar aos jovens alunos e educandos uma informação e formação mais ecuménica e aberta ao pluralismo religioso e intercultural.

Podemos ver o diálogo inter-religioso como fazendo parte da história da salvação. O Génesis diz-nos que tudo teve início pela Palavra, o logos, de Deus. Deus diz e a sua palavra faz ser. A Palavra de Deus é o mediador imediato entre Deus e as criaturas. Através da palavra cria-se um movimento dialógico entre Criador e criatura, na salvaguarda da diferença ontológica. Com a vinda de Cristo «a palavra faz-se carne» e Ele é o fulcro do movimento unificador e relacional entre Deus e a sua criação. Cristo é a Palavra que se faz alguém vivente; com Ele o transcendente faz-se presente no imanente, numa relação criadora/reveladora entre Deus e o ser criado por excelência – o homem.

 

Único Logos

 

No diálogo inter-religioso, uma das questões mais problemáticas é a que se refere ao lugar de Jesus Cristo na criação, na revelação e no caminho de salvação das pessoas e dos povos. Para o cristianismo, ele é «único» e ocupa um lugar central tanto em relação à teologia da revelação como da salvação. Cristo e a sua função mediadora única são um impedimento ao diálogo? O desafio para os cristãos é transformarem esta dificuldade em oportunidade e pensarem o diálogo desde Cristo.

Em Cristo a Palavra da criação e a da revelação são um único logos que se abre à diversidade e se relaciona com ela num diá-logos contínuo. Mediante a palavra de Deus em sentido «transcendente» tudo é criado, mediante a palavra de Deus em «sentido humano», em Jesus, recria-se a relação originária do homem com Deus.

Se Cristo é o logos através do qual Deus cria todas as coisas e se Cristo, mesmo que Filho é um todo com Deus Pai, não é então possível separar a palavra do sujeito falante, o Deus que cria e o Deus que se revela, através do seu fazer-se homem, falando palavras de homem. Bem o põe em relevo o início do Evangelho de S. João: «No princípio era o Verbo e o Verbo estava voltado para Deus e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez homem e habitou ente nós.»

Cristo torna-se palavra de Deus para os homens e palavra de Deus entre os homens. N’Ele a palavra de Deus e as palavras dos homens ressoam juntas.

 

Cristo como paradigma

 

Ele é o diálogo por excelência, é o espaço, o centro e a fonte do movimento relacional entre as diversas linguagens dos homens e de Deus. Por isso quem dialoga põe a sua relação pessoal com os outros no interior da relação que Deus quer fomentar com os homens.

Para os cristãos, Jesus Cristo torna-se o paradigma de referência para toda a relação autenticamente dialógica. O logos divino, num processo de gratuita autocomunicação que só se justifica à luz da liberdade e do amor, sai da morada inacessível da própria transcendência e imerge na contingência do finito, apresentando-se ao mundo como «médium» de relação, inaugurando assim uma nova modalidade de comunicação de Deus com o homem e dos homens entre si. Cristo é «dia-logo» enquanto Deus que se faz homem e homem que é Deus, mediador único entre criação e revelação, símbolo fundador, unificação de dois opostos, homem e Deus.

A relação dialógica deve ser assim entendida como relação de diferentes logoi, conceitos, sensações, acções expressas em palavras a dizer ao outro e a escutar do outro. Cristo é o símbolo absoluto, o diálogo originário, a pedra de alicerce do sentido de todo diálogo inter-humano. Ele mesmo diz: «onde dois ou três se encontram reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles» (Mt 18, 20).

Por isso, e em conclusão, à luz destes conceitos talvez melhor seria falarmos de triálogo e recordarmos que para se conseguir um diálogo inter-religioso mais eficaz precisamos de colocar Cristo entre nós e os nossos interlocutores, ouvirmos as suas sugestões e estarmos disponíveis à sua inspiração.

 

 

Para conhecer Mais

 

– Rumo a uma teologia cristã do pluralismo religioso, de Jacques Dupuis. São Paulo: Paulinas, 1999                 

– Olhar o Património Religioso Entender a Cultura. Lisboa: Paulinas, 2004

– Relatório 2006 – Liberdade Religiosa No Mundo  Lisboa: Fundação Ajuda à Igreja que sofre, 2006

– Diálogo Inter-religioso, Paulinas, 2005

– O que é religião, Robert Crawford, Vozes 

– Religiões, Paulinas, Lisboa, 2006

 

 

 

 

 

QUATRO GRANDES INTERLOCUTORES

 

Ao propor o diálogo inter-religioso, o Concílio Vaticano II identificou quatro grandes religiões: o Judaísmo, o Islão, o Hinduísmo e o Budismo. Nos anos que se seguiram, a reflexão e a prática do diálogo incluíram igualmente as religiões tradicionais na África e as religiões afro-índias na América.

 

Judaísmo: A submissão a Deus

 

O Islão teve os seus inícios há 1400 anos na península da Arábia. Depressa se tornou uma religião mundial, actualmente com um bilião e duzentos milhões de fiéis. A palavra «islão» significa submissão à vontade de Deus, pela qual uma pessoa atinge paz e segurança. A pessoa submete-se à vontade de Deus, Allah, vivendo segundo as prescrições que Deus revelou ao seu profeta Maomé. O Islão é mais que uma fé: é um sistema que fornece as leis e governa todos os aspectos da vida social, familiar, individual e colectiva, desde os rituais religiosos às prescrições que dizem respeito ao vestir e ao conviver em sociedade.

A fé islâmica diz que existe um só Deus, chamado Allah, e que o seu profeta é Maomé. Todos os que seguem a fé islâmica são membros da mesma comunidade, a «ummah». O seu livro sagrado é o Alcorão, que consideram como palavra de Deus revelada e inalterável. O seu lugar de culto é a mesquita, da palavra árabe «lugar de prostração». Os pilares do Islão como religião são cinco: a profissão de fé (shahada); a oração (salat) feita ritualmente cinco vezes por dia, do nascer ao pôr do sol, em direcção a Meca; o jejum (sawm), especialmente durante o mês do Ramadão, o nono do calendário; a oferta aos pobres (zakat); a peregrinação a Meca (Hajj), o mais sagrado dos lugares islâmicos e onde os fiéis devem peregrinar ao menos uma vez na vida.

 

Islão: O Deus da Eleição

 

O Judaísmo é a mais antiga do grupo das três grandes religiões monoteístas mundiais, juntamente com o Cristianismo e o Islão. É também a mais pequena, com apenas 12 milhões de fiéis. O Holocausto, perpetrado contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial, mudou a demografia do Judaísmo: se não tivesse ocorrido, existiriam agora entre 25 e 30 milhões de judeus, a maioria a viver na Europa. Hoje a maioria da população judaica vive em Israel e nos Estados Unidos da América. O Judaísmo não procura convertidos; as pessoas que se convertem devem submeter-se à observância da Lei de Moisés e, se são homens, submeter-se à circuncisão.

A essência do Judaísmo é a pertença à comunidade judaica e a vida segundo as leis e tradições judaicas. Os elementos fundamentais da fé judaica são: há um só Deus, todo-poderoso, que criou o Universo e tudo o que este contém; Deus estabeleceu uma relação especial com o povo judaico, relação cimentada na aliança estabelecida por Deus com Moisés no monte Sinai há 3500 anos. O lugar de culto é a sinagoga. O líder religioso da comunidade judaica é o rabino. O dia sagrado é o sábado, durante o qual os judeus observantes não fazem qualquer actividade que possa ser identificada com trabalho. O livro sagrado é a Bíblia, a Torah, da qual ao menos uma cópia escrita em pergaminho dever ser conservada em cada sinagoga.

 

Hinduísmo: Deus em tudo

 

Hinduísmo é o nome dado a uma família de religiões e culturas que floresceu na Índia e que hoje conta com 700 milhões de seguidores. O Hinduísmo não tem fundador, nem credo, nem uma fonte de autoridade religiosa. Inclui uma vasta gama de crenças e práticas religiosas. Comum aos hinduístas é a crença num Deus, divindade suprema, que está presente em tudo. Os hinduístas assumem que a alma passa através de um ciclo de reincarnações e acreditam no carma, uma força que determina a qualidade de cada vida e que depende da bondade com que a pessoa viveu na vida anterior. O culto hinduísta é feito em casa, onde habitualmente lhe é destinado um local próprio. Os templos hindus são o centro social da religião, mas não existe uma forte tradição de culto colectivo, comunitário. Tradicionalmente o Hinduísmo não procurava convertidos, mas alguns grupos modernos procuram-nos. O Hinduísmo não é religião à maneira das religiões ocidentais: não tem um credo definido de verdades, não tem fundador ou mediador religioso, nem tem um livro sagrado que é tido como única fonte de inspiração para viver bem. Como religião, o Hinduísmo é mais uma atitude diante do Universo e uma forma de viver nele. Está ligado à vida, ao contexto político, social e cultural onde nasceu e se desenvolveu graças aos ensinamentos e à sabedoria dos seus seguidores.

 

Budismo: A Iluminação

 

O Budismo constitui hoje uma vasta e complexa tradição religiosa, que conta com 2500 anos de história e se desenvolveu no Oriente: Índia, Sri Lanka, Tailândia, Indochina, China. Em alguns destes países constitui a religião da maioria e noutros é religião de Estado. Desenvolveu-se como religião racional, sem dogmas, oferecendo aos seus seguidores uma guia espiritual e um caminho para a transformação pessoal, características que a tornam atractiva também no Ocidente.

«Budha» significa «aquele que despertou, que obteve a iluminação». Assume-se que a maioria das pessoas vive adormecida e nunca se desperta para a vida como esta realmente é. Por isso, sofre. Budha é alguém que desperta para o sentido do mundo como ele realmente é e por isso se liberta do sofrimento.

O Budismo não tem um credo de verdades, uma autoridade religiosa única ou um único livro sagrado. A experiência religiosa budista está centrada na pessoa que procura a iluminação. As crenças e os valores centrais estão contidos nas «quatro nobres verdades e nos oito caminhos» que permitem atingir o nirvana, o estado final da iluminação, no qual toda a acção e interacção cessam.

 

World Mission, Outubro 2006

 


Comente esta informação

Imprimir   |   Enviar a um amigo



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados