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Discos e Livros
Abril de 2012

DISCOS
Por: ANTÓNIO MARUJO



 

Título: Antologia de Música em Portugal

Autor: Manuel Pedro Ferreira

Intérpretes: Vozes Alfonsinas

Edição: Arte das Musas/Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da Universidade Nova | mail@artedasmusas.com

 

 

Esta é uma antologia em forma de viagem, com dois livros e dois discos. Através de um conjunto de peças de diferentes épocas e proveniências, Manuel Pedro Ferreira e as Vozes Alfonsinas mostram-nos a evolução, influências e cruzamentos que atravessaram a música portuguesa ao longo dos tempos. Diz o musicólogo que não se pode limitar a música do país à que se fazia no actual território português. Pelo contrário, ela reflecte influências tão diversas quanto as da música hispano-visigótica, islâmica, trovadoresca, borgonhesa ou inglesa. Música profana e cortesã, cancioneiros do Renascimento ou polifonias das catedrais são também dimensões presentes no repertório medieval e renascentista português. Esse percurso faz-se através de dois livros, o primeiro dos quais dá conta dessa história e relações mútuas, deixando para o segundo a transcrição das partituras. Com momentos de uma grande comoção e intensidade, estes discos mostram também a maturidade e ineditismo do trabalho feito por Manuel Pedro Ferreira e pelas Vozes Alfonsinas. Uma obra incontornável para saber de onde vimos.

 

 

 

Título: La Voix de l’Émotion

Intérprete: Montserrat Figueras

Edição: Alia Vox  |  vgm@plurimega.com

 

Em 2004, num final de tarde no Parlamento das Religiões do Mundo, que decorreu em Barcelona, Jordi Savall e a sua mulher, a soprano Montserrat Figueras, executaram três ou quatro músicas, entre as quais o terno El cant dels aucells. Pouco depois, saíam ambos do Fórum das Culturas, Jordi transportando a caixa com a viola de gamba, Montserrat ao lado. Ela era uma figura frágil e firme, como que esvoaçando ao atravessar a rua, olhar luminoso e sorridente. Ambos discretos, como se não fossem dois dos maiores artistas contemporâneos, responsáveis por nos devolver tantas horas de beleza escondida na música antiga, dos tempos medievais ao barroco. Depois da morte de Montserrat, em Novembro, este disco era incontornável, para podermos ter a sua voz, todas as transparências infindas que ela nos traz, todas as melodias, efeitos, sorrisos e humores de que ela era capaz. Ouvir de novo Montserrat Figueras é a melhor forma de a termos connosco.

 

 

 

Título: Sou Luz

Intérprete: Dona Rosa

Edição: Jaro, 2012  |  discos@dargil.pt

 

Dona Rosa foi descoberta em 2001. Cantora de rua, cega, D. Rosa Francelina Dias Martins costuma parar pela Rua Augusta, em Lisboa, para (en)cantar a quem passa. Naquele ano, um disco com o seu nome tornou-a conhecida dos circuitos de música do mundo – foi mesmo por causa de um produtor austríaco que a queria levar a Marraquexe que ela foi «descoberta». A sua voz continua límpida, mesmo se neste quarto disco se acrescentaram violinos, acordeões, guitarras, pianos, baixos e violoncelos no lugar dos ferrinhos com que ela canta na rua e com que gravou o primeiro disco. A primeira peça, «Asa de Anjo», é de uma grande beleza. E há também espaço para a emoção, nas «Memórias de um Percurso», em que a própria conta como ela vê ou tem visto a vida.


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