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O Evangelho é Notícia
Julho de 2018

A multiplicação realiza-se na partilha



XVII Domingo do Tempo Comum: Ano B – 29.7.2018

 

2Rs 4,42-44

Salmo 144

Efésios 4,1-6

João 6,1-15

 

Reflexões

Uma pergunta para reflectir: porque é que o sinal extraordinário da chamada multiplicação dos pães e dos peixes é narrado seis vezes no Evangelho, uma vez por Lucas e João e duas por Mateus e por Marcos? Mais que todos os outros sinais miraculosos realizados por Jesus! As primeiras comunidades cristãs tinham compreendido a sua importância, sendo a fome, nas suas várias formas, um problema universal, o problema do pão de cada dia. Talvez não seja por acaso que a raiz hebraica das palavras pão e combater seja composta pelas mesmas consoantes. Não é por acaso que a maior parte das guerras na história se desencadearam mais por problemas de fome, de acumulação de bens, do que por motivos de prestígio pessoal ou de grupo. Também hoje a luta pelo pão de cada dia agrega todos os seres vivos, ainda que com resultados diferentes. Mesmo opostos muitas vezes: até à morte por fome, como acontece ainda hoje, infelizmente, para centenas de milhões de pessoas. A solução para este escândalo vergonhoso e humilhante não virá de novas multiplicações caídas do céu, mas de decisões novas, programas acordados, estratégias globais para pôr em movimento a partilha nas suas diversas formas. São estes os desafios que a polis, a cidade dos homens e das mulheres na terra, tem de enfrentar actualmente com determinação, imparcialidade e rapidez.

 

O Evangelho deste domingo oferece à família humana indicações preciosas para tal caminho. João ambienta o sinal extraordinário de Jesus na proximidade da Páscoa (v. 4): mais do que uma informação cronológica, trata-se do contexto da sua entrega total: «Amou-os até ao fim» (Jo 13,1), lava-pés, morte e ressurreição de Jesus. O sinal que Jesus realiza brota da profunda comoção que Ele sente pela gente cansada, desorientada, sem pastor, faminta. Para Ele aquela «grande multidão» (v. 2.5) não é anónima, tem um rosto, uma dignidade. São filhos na casa do Pai, não escravos. São todos convidados para a mesa: portanto manda-os sentar. Sentar à mesa é um gesto de dignidade, que corresponde a Jesus e aos seus primeiros amigos (v. 3), mas também à gente: João repete-o três vezes em dois versículos (V. 10.11). «Havia muita erva» (v. 10), que faz lembrar o cuidado do Pastor que convida a descansar «nas pastagens verdejantes» (Sl 23,2). Quando os filhos estão sentados à volta da mesma mesa e o pão é repartido equitativamente, cessam as contendas e as guerras. (*)

 

Os discípulos Filipe e André reconhecem a insuficiência dos poucos recursos disponíveis, perante tanta gente (v. 7.9). Jesus introduz aqui uma lógica nova: realiza o sinal partindo dos cinco pães de cevada (pão dos pobres) e dos dois peixes que um rapaz põe à disposição (v. 9); dá graças e encoraja criativamente a partilha e a distribuição, até mesmo aos mais distantes, a ponto de sobejar (v. 12-13), na esteira do milagre realizado pelo profeta Eliseu (I leitura). No texto evangélico não aparece o termo multiplicação, mas sim o acto da partilha: a multiplicação superabundante acontece durante e através da partilha. Chave de leitura deste sinal é o rapaz, a partir do qual teve início a partilha. O rapaz representa o discípulo chamado a tornar-se criança para entrar no Reino (Mc 10,15): ele não pode acumular para si, mas deve partilhar com outros o que possui. O cristão, consciente de ser parte de um só corpo e de partilhar com outros a mesma fé no único Senhor (II leitura), sabe que a participação na mesa eucarística lhe exige um empenho coerente para que haja pão suficiente na mesa de todos. Esta é a missão!

 

Palavra do Papa

(*) «A fome ceifa ainda muitíssimas vítimas entre os muitos Lázaros aos quais não é permitido, como tinha auspiciado Paulo VI, sentar-se à mesa do rico avarento. Dar de comer aos famintos (cf. Mt 25,35.37.42) é um imperativo ético para a Igreja universal, que responde aos ensinamentos de solidariedade e de partilha do seu Fundador, o Senhor Jesus. Além disso, eliminar a fome no mundo tornou-se, na era da globalização, também um objectivo a atingir para salvaguardar a paz e a estabilidade do planeta».

Bento XVI

Encíclica Caritas in Veritate, 29.6.2009, n. 27

 

No encalço dos Missionários

- 29/7: S. Olavo (†1030), rei da Noruega, promotor da fé cristã e organizador da Igreja no seu país, morreu numa batalha.

- 30/7: S. Leopoldo Mandic (1866-1942), capuchinho da Croácia, promotor da unidade dos cristãos e sacerdote assíduo no ministério das confissões em Pádua.

- 30/7:S. Maria de Jesus Sacramentado Venegas de La Torre (México, 1868-1959), fundadora, dedicada inteiramente ao cuidado dos doentes. – Mesmo dia: - B. Maria Vincenza Chávez Orozco (México, 1867-1949), fundadora, assídua no serviço aos necessitados.

- 31/7: S. Inácio de Loiola (1491-1556), sacerdote espanhol, fundador da Companhia de Jesus, benemérita das Missões e de múltiplos serviços eclesiais e culturais em todo o mundo.

- 31/7: S. Justino De Jacobis (1800-1860), lazarista, missionário e bispo na Etiópia, promotor de relações ecuménicas; é considerado pelos católicos «anjo e padre da Igreja na Etiópia».

- 31/7: Recordação da viagem do Papa Paulo VI ao Uganda (1969) e da criação do SCEAM-SECAM (Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar).

- 31/7: Recordação de Bartolomeu de Las Casas (1474-1566), dominicano espanhol, missionário do Novo Mundo e bispo no México, defensor dos direitos dos Índios e seu protector.

- 1/8: S. Afonso Maria de Ligório (1696-1787), advogado e teólogo de moral, depois bispo, fundador dos Redentoristas, promotor das missões populares. É doutor da Igreja.

- 1/8: Recordação de Mons. Pierre Claverie, dominicano, bispo de Orano (Argélia), morto, juntamente ao seu motorista, num atentado por parte de terroristas islâmicos (†1996).

 

Colaboração e agradecimentos

Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)

Sítio Web: «Palavra para a Missão»

 


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