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O Evangelho é Notícia
Outubro de 2018

Missão é não se envergonhar de os chamar irmãos



XXVII Domingo do Tempo Comum: Ano B – 7.10.2018

 

Génesis 2,18-24

Salmo 127

Hebreus 2,9-11

Marcos 10,2-16

 

Reflexões

Com linguagem poética e mítica, a Palavra de Deus revela-nos verdades elucidativas acerca do ser humano – homem e mulher – acerca da família e do cosmos. A primeira verdade é que Adão não se criou a si mesmo: foi Deus que o criou (I leitura). A palavra Adão, neste caso, quer dizer homem e mulher. Este Adão (homem e mulher) vive na solidão, à qual o próprio Deus põe remédio: «Não é bom que o homem esteja só: vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele» (v. 18). Em última análise, tendo presente o texto bíblico, poderia dizer-se que nem sequer Deus é suficiente para preencher a solidão de Adão. Para a sua existência histórica, Adão precisa também de coisas, de animais, de plantas… que o Criador lhe oferece em quantidade na beleza do universo, dando-lhe também o poder de impor o nome aos seres vivos, isto é, o poder de os manter sob o seu domínio (v. 19). Com base na teologia bíblica, tal poder de domínio sobre as coisas criadas por Deus cabe, naturalmente, ao ser humano na sua plenitude de homem e mulher, com igual dignidade. Domínio significa uso, não abuso ou poder desmedido.

 

Deus, que chamou Adão à vida, chama-o agora à comunhão, a uma vida de encontros e de relações que conduzam a pessoa humana ao crescimento, à plenitude e à maturidade. Adão, de facto, não se satisfaz com o domínio sobre as coisas: procura uma auxiliar semelhante a ele (v. 20), em plena alteridade e igualdade. O próprio Deus apresenta ao homem tal auxiliar, a mulher, Eva, à qual ele sente não poder impor-lhe o nome, isto é dominá-la, porque a reconhece igual a si, parte de si mesmo: «osso dos meus ossos, carne da minha carne» (v. 23). São ambos iguais em dignidade, chamados a uma plena comunhão de vida. O projecto inicial de Deus era esplêndido, mas o pecado humano veio romper o equilíbrio das relações entre iguais: ao respeito sucedeu a vontade de domínio de um cônjuge sobre o outro, com as conhecidas marcas dolorosas. Jesus (Evangelho), depois de ter censurado a sua gente «pela dureza do seu coração» (v. 23), procurou reportá-los ao projecto inicial de Deus. Infelizmente, com escassos resultados, então e até aos nossos dias.

 

O Concílio Vaticano II tem palavras que iluminam a dignidade e a santidade do matrimónio e da família: «A íntima comunidade da vida e do amor conjugal, fundada pelo Criador e dotada de leis próprias, é instituída por meio da aliança matrimonial, eu seja pelo irrevogável consentimento pessoal. Deste modo, por meio do acto humano com o qual os cônjuges mutuamente se dão e se recebem um ao outro, nasce uma instituição também à face da sociedade, confirmada pela lei divina. Em vista do bem tanto dos esposos e da prole como da sociedade, este sagrado vínculo não está ao arbítrio da vontade humana. O próprio Deus é o autor do matrimónio, o qual possui diversos bens e fins, todos eles da máxima importância, quer para a propagação do género humano, quer para o proveito pessoal e sorte eterna de cada um dos membros da família, quer mesmo, finalmente, para a dignidade, estabilidade, paz e prosperidade de toda a família humana» (Gaudium et Spes, 48). Em vista disso, a oração da Igreja torna-se insistente, «para que o homem e a mulher sejam uma coisa só, princípio de harmonia livre e necessária que se realiza no amor» (oração colecta). (*)

 

A vida partilhada do homem e da mulher no matrimónio não é apenas em vista do bem do casal, mas tem uma irradiação missionária sobre os filhos, sobre o ambiente social e eclesial. Depois de ter falado da família, Jesus dirige-se imediatamente às crianças, e mais em geral aos fracos e aos pobres, proporcionando-lhes afecto, protecção e bênção (v. 13-16). Jesus entrou plenamente no tecido e nos meandros da história dos homens, tornando-se solidário com eles, partilhando a sua origem e o seu sofrimento. A ponto de o autor da Carta aos Hebreus (II leitura), afirmar, com palavras comovedoras, que Cristo, «por isso não Se envergonha de lhes chamar irmãos» (v. 11). Cristo não exclui ninguém desta relação fraterna. Mesmo que fosse a pessoa mais censurável e afastada! Ele é sempre o modelo mais radical para cada missionário. E um apelo para todos no mês missionário, que este ano é particularmente rico de acontecimentos e motivações, capazes de renovar e estimular o compromisso evangelizador dos cristãos e das comunidades eclesiais.

 

Palavra do Papa

(*) «Queridos jovens… tenho a certeza de que a fé cristã permanece sempre jovem, quando se abre à missão que Cristo nos confia. «A missão revigora a fé» (Carta enc. Redemptoris missio, 2): escrevia São João Paulo II, um Papa que tanto amava os jovens e, a eles, muito se dedicou. O Sínodo que celebraremos em Roma neste mês de outubro, mês missionário, dá-nos oportunidade de entender melhor, à luz da fé, aquilo que o Senhor Jesus vos quer dizer a vós, jovens, e, através de vós, às comunidades cristãs».

Papa Francisco

Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2018

 

No encalço dos Missionários

- 7/10: Festa de Nossa Senhora do Rosário: oração popular apta a fazer reviver os mistérios da vida de Cristo e de Maria, em sintonia com as alegrias, as esperança e os problemas missionário do mundo inteiro.

- 7/10: B. José Toniolo (Itália, 1845-1918), casado e pais de sete filhos, economista e sociólogo, professor, educador e jornalista; favoreceu a inserção dos católicos na política e na cultura; promoveu a Ação Católica e fundou as Semanas Sociais dos católicos.

-8/10: S. João Calabria (1873-1954), sacerdote de Verona, fundador de duas Congregações da Divina Providência, a favor dos jovens, pobres e doentes.

- 9/10: S. João Leonardi (1541-1609), fundador dos Clérigos Regulares da Mãe de Deus. Com o prelado espanhol G. B. Vives, fundou em Roma uma escola para futuros missionários ad gentes, precursora do Colégio de Propaganda Fide (1627).

- 9/10: S. Ludovico Bertrán (1526-1581), sacerdote dominicano espanhol, missionário na Colômbia, onde evangelizou os povos indígenas e tomou a sua defesa perante os opressores.

- 10/10: S. Daniel Comboni (1831-1881), primeiro bispo-Vigário apostólico da África Central; elaborou um Plano para «salvar a África por meio dos Africanos» e fundou dois institutos missionários. Morreu em Cartum (Sudão) aos 50 anos de idade.

- 11/10: B. João XXIII (Ângelo Giuseppe Roncalli, 1881-1963), o «papa bom», que anunciou (1959) e inaugurou o Concílio Vaticano II a 1 de outubro de 1962.

- 12/10: Memória de 4.966 mártires e confessores (†483) durante a perseguição dos Vândalos do rei ariano Unerico na África setentrional.

- 12/10: Festa de Nossa Senhora «Aparecida», padroeira do Brasil, imagem particularmente querida aos afro-brasileiros.

- 12/10: Recordação de Simon Kimbangu (†1951), fundador da Igreja independente kimbanguista no Congo.

 

Colaboração e agradecimentos

Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)

Sítio Web: «Palavra para a Missão»

 


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