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O Evangelho é Notícia
Setembro de 2017

Todos em Missão: Não há lugar para o ócio, há trabalho para todos!



XXV Domingo do T.C.- Ano “A” - Domingo 24.9.2017

 

Isaías 55,6-9

Do Salmo 144

Filipenses 1,20-27

Mateus 20,1-16

 

Reflexões

O texto de Isaías (I leitura), escrito perto do fim do exílio em Babilónia, oferece-nos a chave de leitura para compreendermos a atitude desconcertante, irracional, provocatória do dono da vinha, da parábola de Jesus: “os meus pensamentos não são como os vossos, e os vossos caminhos não são como os meus” (v. 8). O salmo responsorial exalta o Senhor que é paciente e misericordioso, bom para com todos, cuja grandeza não tem medida. Somente com estes parâmetros será possível aproximar-se do mistério de Deus e das suas escolhas. Para entender a mensagem de Jesus, é preciso sair de uma lógica económica, deixar de lado a mentalidade do contabilista, optar pela gratuidade, adoptar a lógica de quem se apaixona. Jesus abala uma certa doutrina do ‘mérito’, por sinal bem frequente, segundo a qual a salvação seria quase um direito para quem ‘suportou o calor e o peso do dia’ (v.16), um salário devido a quem cumpre determinadas obras; e assim, quem mais cumpre mais favor divino ganharia. As murmurações contra o dono (v. 11-12) vêm de gente justa e mesquinha, como o profeta Jonas (Jon 4:1-2) e como o filho mais velho da parábola (Lc 15,29-30), incapazes de compreender o amor do Pai, invejosos e ofendidos pelo perdão concedido ao povo de Nínive e ao filho mais novo.

 

O Reino de Deus e a sua salvação têm as dimensões missionárias da universalidade, são dons abertos a todos: mesmo e sobretudo aos últimos, aos pecadores, aos humildes. “O estilo de Jesus é idêntico para todos, judeus e pagãos, justos e pecadores. A primeira aliança, baseada sobre o direito e a justiça é substituída pela nova, fundada exclusivamente sobre a graça. O reino é um dom de Deus e não um salário pelas obras da Lei, a salvação não é uma recompensa, quase contratual, é, antes de mais, uma iniciativa divina feita de amor e comunhão, na qual somos convidados a participar com alegria e sem limites” (G. Ravasi). Incluídos são também os pobres, os deserdados da vida, porque Deus cuida também daqueles que ninguém quer contratar (v.7). Deus é um patrão cheio de amor: acolhe a todos, sem recusar quem quer que seja, mas também é livre de ter as suas preferências (v.15); mostra uma nova hierarquia de valores, um relacionamento novo com as pessoas, perturbador para os critérios humanos (I leitura), mas é a hierarquia do Reino definitivo.

 

O dono da vinha é uma imagem de Deus, que chama todos a trabalhar pelo Reino: chama a todas as horas, idades, em quaisquer condições. Chama um a um, para tarefas diversas... Tem um coração grande, só pede que os trabalhadores confiem nele, trabalhem pelo seu Reino, por amor, gratuitamente. Ele chama alguns (muitos) como trabalhadores e missionários da primeira hora: concede-lhes a honra de os associar ao trabalho do Reino desde a primeira hora. Para quem já entrou na lógica do amor e do serviço, o peso do dia e o calor não são um castigo, mas um privilégio. Em 2003 celebrou-se em Guatemala um congresso missionário continental com o lema: “Igreja de América, a tua vida é a missão!”

 

Missão em tantas modalidades, por toda a parte, sempre, sobretudo entre os mais afastados. Viver com horizontes amplos quanto o mundo é uma graça que renova as pessoas, as comunidades, a Igreja. Assim o entendia Paulo (II leitura), decidido “a ser de ajuda a todos vós, para o progresso e a alegria da vossa fé” (v. 25). Por isso mesmo convida os filipenses a comportarem-se “como cidadãos dignos do Evangelho” (v. 27).

 

 “Ide também vós para a minha vinha” (Mt 20,4) é o convite-ordem missionário de um Dono que tem projectos grandes e urgentes, porque “a messe é grande e os trabalhadores são poucos” (Mt 9,37). Apelo de grande actualidade pois se aproxima o mês missionário de Outubro e o Dia Mundial das Missões.

 

Palavra do Papa

(*) «A missão da Igreja é animada por uma espiritualidade de êxodo contínuo. Trata-se de «sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 20). A missão da Igreja encoraja a uma atitude de peregrinação contínua através dos vários desertos da vida, através das várias experiências de fome e sede de verdade e justiça. A missão da Igreja inspira uma experiência de exílio contínuo, para fazer sentir ao homem sedento de infinito a sua condição de exilado a caminho da pátria definitiva, pendente entre o «já» e o «ainda não» do Reino dos Céus».

Papa Francisco

Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2017

 

No encalço dos Missionários

- 24/9: B. Virgem Maria das Mercês, título que proclama a misericórdia divina e inspirou o apostolado missionário para a libertação dos escravos.

- 24/9: B. António Martino Slomsek († 1862), bispo de Maribor (Eslovénia); dedicou-se particularmente à formação cristã das famílias e do clero, e promoveu a unidade da Igreja.

- 24/9: Evocação de Mons. Ângelo F. Ramazzotti (Itália, 1800-1861), bispo de Pavia e patriarca de Veneza, fundador do Seminário Lombardo para as Missões Estrangeiras, primeiro núcleo do PIME.

- 25/9: S. Sérgio de Radonez (russo, 1313-1392): de início foi eremita, depois cultivou a vida comunitária no mosteiro da SS.ma Trindade em Moscovo; era muito procurado como guia espiritual.

- 26/9: B. Luís Tezza (1841-1923), sacerdote camiliano italiano, missionário em Lima (Perú), fundador das Filhas de S. Camilo para a assistência aos doentes.

- 27/9: S. Vicente de Paulo (1581-1660), sacerdote francês, fundador da Congregação da Missão e das Filhas da Caridade, para a formação do clero, as missões populares e o serviço dos pobres.

- 27/9: Dia Mundial do Turismo – Tema (2017): «Turismo Sustentável: um instrumento ao serviço do progresso».

- 28/9: S. Lourenzo Ruiz, de Manila, e 15 companheiros mártires (sacerdotes, religiosos e leigos), mortos em Nagasaki (Japão, 1633-1637), depois de terem evangelizado no Extremo Oriente.

- 28/9: B. Niceta Budka (1877-1949), bispo, nascido na Ucrânia, missionário no Canadá entre os católicos de rito bizantino; morreu num campo de concentração em Karadzar, Kazaquistão.

- 28/9: Nascimento de Confúcio na China (551 a.C.).

- 29/9: Festa dos SS. Miguel, Gabriel e Rafael, arcanjos, servidores de Deus e seus mensageiros junto dos homens.

 

Colaboração e agradecimentos

Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)

Sítio Web: «Palavra para a Missão»

 


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