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O Evangelho é Notícia
Novembro de 2018

O amor desagua e concretiza-se na Missão



XXXI Domingo do Tempo Comum: Ano B – 4.11.2018

 

Deuteronómio 6, 2-6

Salmo 17

Hebreus 7, 23-28

Marcos 12, 28-34

 

Reflexões

No labirinto das leis e prescrições, normas e preceitos contidos nas Sagradas Escrituras, os rabinos tinham catalogado pelo menos 613 mandamentos. Tinham-nos subdividido minuciosamente em 248: preceitos positivos (isto é, ações a cumprir, tantas quantos os ossos do corpo humano), e em 365 preceitos negativos (ações a evitar, tantas quantos os dias do ano). Era preciso observá-los todos, apesar de alguns preceitos serem considerados graves e outros leves. As mulheres – não se compreende bem porquê – eram dispensadas dos 248 preceitos positivos. Era difícil aprendê-los todos e mais ainda observá-los. Na tentativa de uma simplificação, algumas escolas rabínicas discutiam pedantemente quais fossem os preceitos mais importantes: para alguns, o mandamento de “não ter outros deuses”; para outros, a observância do sábado; outros confiavam na opinião do mestre Hillel: «aquilo que não queres para ti, não o faças ao teu próximo; esta é toda a lei, o resto é só comentário».

 

É neste contexto que se inscreve o diálogo entre o escriba e Jesus acerca do «primeiro de todos os mandamentos» (Evangelho, v. 28). Estamos perante um modelo de diálogo, que se baseia nas fontes e se conclui com uma coincidência doutrinal e com um apreço mútuo: «disseste bem», «dera uma resposta inteligente», «não estás longe do reino de Deus» (v. 32.34). Para lá da forma, é mais importante o conteúdo. Jesus, seguindo a mais pura tradição bíblica (I leitura), põe no início de todo o caminho do crente a escuta de Deus, o único Senhor: «Escuta, Israel…» (shemà, Israel), (v. 3.4). A fé é antes de mais escuta e adesão: o discípulo escuta e crê, abandona-se ao seu Deus amando-o com todo o seu ser (coração, mente, alma, forças…). Mas Jesus, sem ter sido interrogado sobre isso, associa ao primeiro um segundo mandamento: «Amarás o próximo como a ti mesmo» (Lv 19, 18; Mc 12, 31).

 

Numerosos textos do Novo Testamento (os três evangelistas sinóticos, João, Paulo…) sublinham a semelhança dos dois mandamentos do amor de Deus e do amor do próximo na base comum do amor. Aliás, a síntese dos mandamentos concentra-se no amor do próximo: «Isto vos mando: amai-vos uns aos outros» (Jo 15, 17); o distintivo de reconhecimento dos discípulos de Jesus é sem dúvida o mandamento novo: «Se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 34.35). Para São Paulo «toda a lei encontra a sua plenitude num único preceito: amarás ao próximo como a ti mesmo» (Gal 5, 14); «pleno cumprimento da lei é o amor» (Rom 13, 10).

 

O motor da vida do cristão é o amor. Porque «Deus é amor» (1Jo 4, 16). O cristianismo não é uma religião à base de proibições ou de teorias, é antes de mais um caminho de amor. Os ritos e os sacrifícios são secundários relativamente ao mandamento do amor: amar vale mais (Mc 12, 33). «Ama, e faz o que quiseres», como se exprimia santo Agostinho. O cristianismo é um caminho de vida; um amor que se dá até ao fim (Jo 13, 1); um amor que se faz missão e serviço até doar a vida em resgate pelos outros (Mc 10, 45). Para que todos tenham vida em abundância (Jo 10, 10): os próximos e os distantes, sobretudo os pobres e os fracos. Para a alegria de todos: amigos e inimigos. Assim como Jesus, que se ofereceu a si mesmo e agora está vivo para interceder (II leitura), também o cristão se oferece pelos outros. Do conhecimento e experiência do Deus-Amor, revelado em Cristo, nasce o anúncio missionário a todos. (*)

 

É necessária a aplicação eclesial e missionária do mandamento do amor, como a fez o card. Dionigi Tettamanzi, arcebispo emérito de Milão (VR, 16.10.2006): «Considero mais do que nunca apropriada e estimulante a releitura eclesiológica do mandamento bíblico do “ama o próximo como a ti mesmo”, que com rigorosa lógica se declina assim: «ama a paróquia de outrem como a tua, a diocese de outrem como a tua, a Igreja de outros Países como a tua, a união de outrem como a tua, etc.». Estarei porventura a exagerar e a refugiar-me numa espécie de sonho, ou a confessar a beleza e a audácia da nossa fé? Não há dúvidas: no mysterium Ecclesiae isso é possível, isso é necessário: não apenas na intenção e na oração, mas também na ação concreta. Sublinho que é possível precisamente neste nível quotidiano colher a íntima e indivisível ligação entre comunhão e missão, entre missão e comunhão. São absolutamente inseparáveis: simul sant vel cadunt (juntas se aguentam ou tombam)».

 

Palavra do Papa

(*) «A nova evangelização está essencialmente relacionada com a missão ad gentes. A Igreja tem o dever de evangelizar, de anunciar a mensagem de salvação aos homens que ainda não conhecem Jesus Cristo…; que aguardam com viva expectativa, por vezes sem estar conscientes disso, o primeiro anúncio do Evangelho. Por isso é preciso invocar o Espírito Santo para que suscite na Igreja um renovado dinamismo missionário cujos protagonistas sejam, de modo especial, os agentes da pastoral e os fiéis leigos. A globalização causou uma notável deslocação de populações; por isso, o primeiro anúncio impõe-se também nos países de antiga evangelização. Todos os homens têm o direito de conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho; e a isso corresponde o dever dos cristãos, de todos os cristãos – sacerdotes, religiosos e leigos –, de anunciar a Boa Nova».

Bento XVI

Homilia no encerramento do Sínodo para a Nova Evangelização (28.10.2012)

 

No encalço dos Missionários

- 4/11: S. Carlos Borromeu (1538-1584), arcebispo de Milão; homem de doutrina e caridade, organizou sínodos e semanários para a formação do clero, promoveu a vida cristã através de visitas pastorais assíduas.

- 5/11: S. Guido Maria Conforti (1865-1931), bispo de Parma, animador do espírito missionário na comunidade eclesial, fundador dos Missionários Saverianos.

- 5/11: Servo de Deus Jorge La Pira (1904-1977), leigo, professor, político, deputado e ministro, presidente da Câmara de Florença, promotor do diálogo e operador de paz.

- 7/11: S. Prosdocimo (séc. III), considerado o fundador da comunidade cristã à volta de Pádua e seu primeiro bispo.

- 9/11: Dedicação da Basílica de São João de Latrão, catedral do Papa, enquanto bispo de Roma; igreja «mãe e líder de todas as igrejas da Urbe e da orbe».

- 9/11: Evocação da queda do «Muro de Berlim» (1989), acontecimento símbolo de relações novas entre os povos.

- 10/11: S. Leão Magno, papa e doutor da Igreja (†461), salvou Roma e Itália das invasões dos Unos e dos Vândalos.

 

Colaboração e agradecimentos

Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)

Sítio Web: «Palavra para a Missão»


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