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O Evangelho é Notícia
Novembro de 2018

Uma nova época missionária



XXXIII Domingo do Tempo Comum: Ano B – 18.11.2018

 

Daniel 12,1-3

Salmo 15

Hebreus 10,11-14.18

Marcos 13,24-32

 

Reflexões

Marcos usa uma linguagem de meter medo, mas sempre com uma mensagem de salvação e de esperança. É a chamada linguagem “apocalíptica”, rica de imagens e palavras, que os evangelistas usam para exprimir a destruição de Jerusalém e, em perspectiva, os acontecimentos últimos da história humana. O contexto imediato em que viviam as primeiras comunidades cristãs era marcado por tensões internas e por perseguições externas, que provocavam medo, desorientação e muitas interrogações: Quanto tempo durará a provação? Como manter-se fiéis? No fim, quem se salvará?

 

Marcos e os evangelistas, na linha da pregação apostólica, querem dar às comunidades uma mensagem de esperança e de consolação, centrada na proximidade do Mestre (Evangelho): a Sua ausência é apenas momentânea, Ele voltará de novo, envia os Seus anjos protectores, à dispersão inicial acontecerá uma grande convocação (v. 26-27). Tinha-o previsto também o profeta Daniel (I leitura): depois de um duro período de angústia, o povo encontrará a salvação (v. 1).

 

A Palavra de Deus neste domingo apresenta várias pessoas que intervêm, a diverso título, na obra da salvação. Em primeiro lugar, Jesus Cristo, como sacerdote e santificador da nova Aliança (II leitura), o único Salvador de todos os povos. Há depois aqueles que colaboram com o plano de Deus e acompanham os eleitos e os irmãos na fé. Daniel reserva um elogio especial «àqueles que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça» (v. 3). Marcos fala de anjos que reúnem os eleitos «dos quatro pontos cardeais» (v. 27). «A salvação dos irmãos da deserção da fé e da dispersão não se dá por uma intervenção prodigiosa do Senhor, mas pela acção dos anjos, os discípulos que, no momento da provação, souberam manter-se firmes na fé. São eles os anjos encarregados de reconduzir os irmãos à unidade da Igreja» (F. Armellini).

 

É este o papel missionário daqueles que acompanham os outros na caminhada ao encontro de Cristo. O caminho da missão é árduo e tem tempos longos, junto dos diversos povos. A messe é sempre abundante, mas escasseiam os operários (Mt 9,37). E no entanto o próprio Jesus convida a levantar a cabeça e a olhar com esperança em direcção à messe: «Levantai os olhos e vede os campos que estão doirados para a ceifa» (Jo 4,35).

 

O Senhor Jesus alimenta a esperança, assegura que «Ele está perto, está mesmo à porta» (v. 29): a cada pessoa oferece a Sua salvação. E convoca os seus amigos para se tornarem portadores de tal anúncio. João Paulo II, na encíclica Redemptoris Missio (1990) afirma com vigor que «a missão de Cristo Redentor, confiada à Igreja, está ainda bem longe do seu pleno cumprimento… Tal missão está ainda no começo, e devemos empenhar-nos com todas as forças ao seu serviço» (n. 1). Consciente da vastidão e da urgência de tal missão, o Papa convida a elevar os corações à esperança «nesta nova primavera do cristianismo» (n. 2), ao mesmo tempo que vê «alvorecer uma nova época missionária». Será dia radioso e rico de frutos, se todos os cristãos e, em particular, os missionários e as jovens Igrejas corresponderem generosa e santamente aos apelos e desafios do nosso tempo» (n. 92).

 

O profeta Daniel (I leitura), embora entre cenários de angústia nunca vistos (v. 1), abre horizontes de esplendor e de luz reservados aos sábios e «àqueles que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça» (v.3). Tais são sem dúvida os educadores: isto é, aqueles que de várias formas ajudam outros a caminhar na vida por caminhos rectos. Sejam eles pais, professores, catequistas, escritores, agentes da comunicação social…

 

A 50 anos do Concílio, a Igreja, e nela todo o crente em Cristo, luz das gentes, é chamada a renovar-se na fé e no amor ao Senhor, para ser no mundo facho de luz e de esperança para todos os que têm sede de verdade e de amor e procuram sair de situações de angústia e de morte. O Concílio Vaticano II, após 50 anos, continua a ser «uma bússola que permite à barca da Igreja avançar em mar aberto, no meio de tempestades ou de ondas tranquilas, para navegar segura e chegar à meta», como afirmou Bento XVI (10.10.2012), recordando também aquele «esplêndido dia» de 11 de Outubro de 1962 (*). Para a «Igreja no mundo» foi um dia carregado de expectativas e de esperança, perante os sempre novos desafios missionários postos ao anúncio do Evangelho.

 

Palavra do Papa

(*) Foi um dia esplêndido, quando a 11 de Outubro de 1962, com a entrada solene de mais de dois mil Padres conciliares na Basílica de São Pedro em Roma, se abriu o Concílio Vaticano II… Pairava no ar um sentido de expectativa geral: o cristianismo, que tinha construído e plasmado o mundo ocidental, parecia perder cada vez mais a sua força eficaz. Dava sinais de estar cansado e parecia que o futuro fosse determinado por outros poderes espirituais. A percepção desta perda do presente por parte do cristianismo e da tarefa que daí resultava era bem sintetizada pela palavra aggiornamento. O cristianismo deve estar no presente para poder dar forma ao futuro».

 

Bento XVI

Osservatore Romano, 11 de outubro de 2012

 

No encalço dos Missionários

- 18/11: S. Filipina Rosa Duchesne (1769-1852), religiosa francesa, missionária nos USA, onde criou várias escolas e morreu no estado do Missouri.

- 20/11: Dia Internacional dos Direitos da Criança, criada pela ONU em 1989.

- 21/11: Apresentação de Nossa Senhora no templo. – (Hoje ou noutra data): Dia Pro Orantibus, pelos religiosos e religiosas de clausura de vida contemplativa.

- 22/11: S. Cecília, mártir romana. – Dia Internacional da Música.

- 23/11: S. Columbano, abade (†615), nascido na Irlanda, missionário itinerante em França, Suíça e Itália, fundador de numerosos mosteiros.

- 23/11: B. Miguel Agostino Pró (1891-1927), jesuíta mexicano, martirizado durante a perseguição contra a Igreja. Juntamente com ele, recordam-se muitos outros mártires do mesmo período.

- 24/11: S. André Dung-Lac (†1839), sacerdote, e vários outros companheiros mártires no Vietname. João Paulo II em 1988 canonizou 117: bispos, sacerdotes e leigos martirizados em vários lugares, modos e tempos.

- 24/11: BB. Pedro Kibe Kasui (1587-1639), jesuíta japonês, e 187 companheiros mártires, martirizados entre 1603 e 1639; destes, quatro eram sacerdotes e todos os outros leigos, entre os quais também mulheres e crianças. É o terceiro grupo de mártires japoneses (depois dos de 1597 e 1622).

 

Colaboração e agradecimentos

Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)

Sítio Web: «Palavra para a Missão»

 


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