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O Evangelho é Notícia
Março de 2011

Liberdade e responsabilidade: valores para o anúncio e a missão



IX  Domingo do Tempo Comum

Ano  A – Domingo 6.3.2011

 

Liberdade e responsabilidade: valores para o anúncio e a missão

 

Deuteronómio  11,18.26-28.32

Salmo  30

Romanos  3,21-25a.28

Mateus 7,21-27

 

Reflexões

Sucesso ou fracasso? Salvar-se ou perder-se? Alternativas chocantes: está em jogo a vida! Nas leituras de hoje, abundam as imagens de dualidade: bênção e maldição (I leitura); graça e pecado, fé e obras da Lei (II leitura); pessoa sábia e pessoa estúpida, casa sobre a rocha e casa sobre a areia (Evangelho). Procedendo por alternativas opostas, segundo os cânones da linguagem oriental, Jesus e os outros autores bíblico catam o hino à liberdade humana, que está na base da escolha entre a bênção ou a maldição. Conseguir ou falir na vida é um dom e também um risco que sempre acompanha toda a actividade da pessoa humana, enquanto ser livre, capaz de compreender e de decidir, de amar e de arriscar a vida. Com a liberdade que Deus dá e respeita!  Até às últimas consequências! Com uma coerência estrema, perante a qual outras religiões tremem, fazendo, por vezes ‘descontos’ seja a Deus seja ao homem. As leituras de hoje oferecem, assim, a oportunidade de reflectir sobre valores de liberdade e responsabilidade pessoal em vista do serviço missionário.

 

A religião cristã sustenta, com igual firmeza, seja a superioridade de Deus e o carácter irrenunciável dos seus mandamentos, todos a escutar e a pôr em prática (I leitura), seja a liberdade humana, mesmo se se corre o risco de fechar o coração a Deus e escolher outros deuses (v. 27-28). Com todas as consequências, naturalmente, seja para o bem seja para o mal. A mensagem cristã não teme, pelo contrário exalta e sustenta a liberdade humana (II leitura): de facto, Cristo, Redentor de todos, vem em auxílio de quem crê oferecendo-lhe gratuitamente a graça e a salvação (v. 24). Estamos perante um conteúdo missionário de extrema importância. Somente um Deus-amor completamente livre é capaz de criar seres livres, de respeitar as escolhas que fazem, de garantir ele mesmo a sua liberdade, sem temer a liberdade que deu à humanidade. Fruto desta liberdade é a responsabilidade pessoal que está na base de toda a moral natural e cristã. Sobretudo para quem segue Cristo e a Ele se inspira nas escolhas que faz para a própria vida!  (*)

 

Liberdade e responsabilidade: a liberdade de toda a pessoa encontra neste binómio as suas raízes; é aqui que a pessoa humana encontra a sua verdadeira grandeza. Deus criou-nos livres, capazes de amar e de servir. Somente pessoas livres podem prestar um culto autêntico a Deus e dar-lhe glória. Em todas as acções boas - incluídas as mais elevadas, como os sacramentos da Igreja. Concorrem duas liberdades: a liberdade de Deus e a liberdade da pessoa humana. Apesar dos limites e das fragilidades humanas, a própria salvação é o feliz resultado do encontro entre Deus e o homem, que se realiza na liberdade. É também deste ponto de vista que se verifica a novidade missionária do Evangelho, em relação às outras religiões, nas quais não raramente existem formas (crenças, ritos...) de servilismo moral ou de mortificação da liberdade.

 

Autenticidade e transparência são duas exigências para ter sucesso e não falir na vida, superando o risco de virmos a encontrar-nos em situações desastrosas, sem retorno. Já no IV século S. João Crisóstomo precavia os cristãos contra as seduções efémeras e enganadoras: “Aqui sobre a terra estamos como num teatro: entram os actores, com o rosto coberto com uma máscara e recitam o próprio papel. Um parece médico, mas não sabe curar ninguém, só se veste de médico; um outro parece um sábio porque tem o cabelo e a barba à maneira dos filósofos; um terceiro parece soldado porque assume a posa de um soldado... A máscara engana. Mas ao entardecer, acaba o espectáculo e todos regressam a casa; tiram-se as máscaras, acaba o engano, afirma-se a verdade. Um dia assim acontecerá”.

 

A palavra de Jesus (Evangelho) convida à sabedoria, a construir a casa sobre a rocha, a permanecer firmes nas boas decisões, para não sucumbir aos ventos e à chuva (v.25). A rocha é o próprio Cristo (cf 1 Cor 10,4); a Ele se refere o ámen da fé, que literalmente significa “construir e basear-se em” uma rocha. A estabilidade e a firmeza são ainda mais necessárias nas grandes opções da vida: família, vida consagrada, vocação missionária... Exemplar o testemunho de firmeza de grandes missionários tais como S. Paulo (Act 20,18-27) e S. Daniel Comboni, apóstolo da África (1831-1881), que se manteve fiel à opção missionária inicial, sem jamais ceder: «Vendo-me assim abandonado e desolado, tive cem vezes a tentação fortíssima de abandonar tudo... Pois bem, o que me sustentou sempre na minha Vocação (mesmo quando era acusado pelas mais altas autoridades de mais de vinte pecados capitais, mesmo que existam só sete, mesmo quanto tinha 70.000 francos de dívidas, os Institutos de Verona em desordem, na África Central muitos mortos e nenhuma perspectiva de luz, mas só trevas, e eu com as febres em Cartum), o que sustentou a minha coragem e me fez resistir com firmeza no meu lugar até à morte, ou até decisão contrária da Santa Sé, foi a convicção da certeza da minha Vocação, foi sempre e toties quoties porque o P. Marani me disse no dia 9 de Agosto de 18957, depois de exame cuidadoso: ‘a tua vocação para as missões da África é uma das mais claras que eu jamais vi’» (Carta 16.7.1881, Escritos, n. 6886). Verdadeira casa sobre a rocha!

 

 

Palavra do Papa

(*) “Quem corre fora da estrada, corre o risco de acabar num precipício, ou pelo menos de se afastar mais rapidamente da meta. Deus criou-nos livres, mas não nos deixou sós: Ele mesmo se fez ‘caminho’ e veio caminhar connosco, para que a nossa liberdade tenha também um critério para discernir a estrada certa e para a percorrer”.

Bento XVI

Homilia na festa do Corpo de Deus, 22.5.2008

 

Nas pegadas dos missionários

- 6/3: S. Olegário de Tarragona (Espanha, 1137), bispo de Barcelona e de Tarragona, quando esta antiga sede foi libertada do domínio dos Mouros.

- 7/3: SS. Perpétua e Felicidade, mártires em Cartago (†203), sob o imperador Septímio Severo.

- 7/3: B. José Olallo Valdês (1820-1889), cubano, religioso da Ordem Hospitalar de S. João de Deus, sempre atento aos doentes e necessitados.

- 8/3: S. João de Deus (1495-1550), religioso português, fundador da Ordem dos Irmãos Hospitaleiros protector dos hospitais, patrono dos doentes e dos enfermeiros.

- 8/3: Dia Internacional da Mulher: foi instituído em 1910 e assumido pela ONU em 1975.

- 9/3: Quarta-feira de Cinzas e início da Quaresma. Desde sempre a Igreja convida a viver as obras de jejum, oração e esmola em dimensão missionária e de partilha.

- 9/3: SS. Quarenta Soldados capadócios, mártires em Sebaste (Arménia, †320).

- 9/3: S. Domingos Sávio, jovem educado por S. João Bosco, e falecido aos 14 anos (†1857).

- 10/3: B. Elias do Soccorso Nieves del Castillo, sacerdote mexicano, agostinho, martirizado em Cortázar (México, †1928), juntamente com outros durante a perseguição.

- 12/3: S. Luís Orione (1872-1940), sacerdote piemontês, fundador da Pequena Obra da Divina Providência e de algumas Congregações religiosas para a assistência aos mais necessitados.

 

Colaboração e agradecimentos

Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)

Sítio Web: «Palavra para a Missão»

 

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