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Discos e Livros
Dezembro de 2009

DISCOS
Por: ANTÓNIO MARUJO



 

 

 

Título: Silêncio

Intérpretes: Sete Lágrimas

Edição: Arte das Musas, 2009

mail@artedasmusas.com; discos@dargil.pt

 

 

 

 

«Silêncio» é um projecto original: o grupo Sete Lágrimas convidou três artistas ligados a três diferentes tradições cristãs (Ivan Moody, ortodoxa, Andrew Smith, protestante, e João Madureira, católica) para comporem peças sobre textos bíblicos – respectivamente, o relato da criação do mundo no Génesis, as Lamentações de Jeremias e a Paixão de Jesus. O resultado é um diálogo dos compositores com a Bíblia, do religioso com a arte e dos compositores entre si: apesar das peças terem sido criadas em separado, o resultado final é um profundo diálogo entre os três compositores tecido pelo fio do texto bíblico. A música é de grande qualidade: Ivan Moody recria a serenidade do ambiente preambular e a força do acto criador; Andrew Smith revela-nos a voz do deserto e do exílio; João Madureira dá uma intensidade inusitada à morte de Jesus (começando pelo Pai-Nosso e pela forte invocação do Pater). Às criações, os compositores acrescentaram uma peça antiga que recriaram: um hino russo, uma canção inglesa e uma cantiga de Santa Maria, de Afonso X. A obra assinala os 25 anos do Departamento do património Histórico e Artístico da Diocese de Beja. Um disco notável.

 

 

 

Título: In Monasterio Aveirensi

Intérprete: Ensemble Joanna Musica

Edição: Numérica, 2009

xviiimusica@gmail.com

 

Conta a lenda que, quando foi o funeral da Princesa Santa Joana, assim já chamada no coração do povo, até as folhas das árvores caíram em pranto. O director do Ensemble Joanna Musica, Mário Marques Trilha, foi à procura de música barroca ligada à filha do rei D. Afonso V que decidiu enclausurar-se no Convento de Jesus, em Aveiro, de onde irradiou a sua bondade, sobretudo para com os mais pobres. E encontrou «um razoável corpus setecentista de peças ligadas ao culto a princesa aveirense». O resultado é este «In Monasterio Aveirensi», que recolhe uma Missa de Santa Joana, de David Perez, e uma Calenda de Santa Joana, de José Joaquim dos Santos, além de outras duas peças com relação indirecta com a princesa e uma última que é criação contemporânea de Marques Trilha. Uma grata surpresa, que levaria as folhas que choraram no funeral a rejubilar com a música que aqui se nos revela.

 

 

 

Título: Septem Verba Christi in Cruce

Intérpretes: Le Concert des Nations; dir. Jordi Savall

Edição: Alia Vox, 2009

vgm@plurimega.com

 

Esta gravação é histórica, escreve Richard Edwards no livro que acompanha o dvd com «As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz»: pela primeira vez, uma interpretação da versão original da obra para orquestra foi filmada no mesmo lugar onde ocorreu a estreia d’ «As Sete Últimas Palavras», em Cádis. Mais ainda, a realização tentou recriar o ambiente que terá existido na primeira execução. A gravação acrescenta ainda, ao texto musical de Joseph Haydn, as reflexões do teólogo Raimon Pannikar e do escritor José Saramago. Somam-se ainda imagens da Semana Santa andaluza, intercaladas com momentos da gravação. Se «As Sete Últimas Palavras» já é uma das obras mais intensas sobre a Paixão de Jesus, esta edição é verdadeiramente um tesouro.


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