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Junho de 2017

Oceanos: Futuro azul
Por: CARLOS REIS, jornalista



Os oceanos cobrem dois terços da superfície da Terra, regulam o clima e oferecem nutrição, energia e rotas para o comércio mundial. Pressões humanas estão a ter um peso significativo sobre o Pacífico, Atlântico, Índico, Árctico e Antárctico.

 

 

A grande massa de água salgada do planeta gera a maior parte do oxigénio que respiramos, absorve grandes quantidades das emissões de dióxido de carbono e é economicamente importante para os países que dependem do turismo, pescas e outros recursos marítimos para obter rendimentos. Os oceanos não são somente o habitat de um vasto número de plantas e animais, mas também fornecem alimentos e energia aos seres humanos.

Os oceanos, que começaram a ser cientificamente explorados há cerca de 200 anos, detêm a chave sobre o funcionamento da Terra. No entanto, muito permanece por descobrir na sua utilização para benefício da humanidade e do ambiente.

Pressões humanas, incluindo sobreexploração, pescas desreguladas, ilegais e destrutivas, práticas de aquacultura instáveis e poluição marítima, além da destruição de habitat, espécies exóticas, alterações climáticas e acidificação dos mares estão a ter um peso significativo sobre os oceanos.

«Temos de saber mais sobre os oceanos e recorrer a uma ciência mais forte para conceber políticas mais sustentáveis, baseadas em ecossistemas para os oceanos e costas», preconiza a directora-geral da Unesco, organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura. «Em tempo de ameaças emergentes, “os negócios de sempre” já não são aceitáveis. Temos de mudar a maneira como entendemos, gerimos e usamos os recursos marítimos e as áreas costeiras», pondera Irina Bokova.

As Nações Unidas reconhecem os oceanos sustentáveis como parte importante dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio 2015-2030, de forma a assegurar que os oceanos continuam a servir as nossas necessidades sem pôr em causa as das gerações futuras.

Na encíclica sobre ambiente e desenvolvimento sustentável Laudato Sí’, também o Papa Francisco alerta para a contaminação e pesca indiscriminada que ameaçam os oceanos. «Protejamos os oceanos, que são um bem comum global, essenciais pela água e pela variedade de seres vivos», apela o pontífice a propósito do Dia Mundial dos Oceanos (8 de Junho).

 

Mudança da maré

Compete à IOC, comissão oceanográfica intergovernamental da Unesco, coordenar os programas de investigação, no âmbito do Sistema Mundial de Observação dos Oceanos (GOOS), para melhorar as previsões meteorológicas, reduzir as incertezas sobre as alterações climáticas, melhorar a gestão dos ecossistemas e dos recursos marinhos e fornecer alertas rápidos em caso de maremotos (tsunamis). A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, conhecida como a Constituição dos Oceanos, oferece o regime legal para todas as actividades marítimas.

A The Ocean Conference, a realizar no início de Junho, sob o tema Nossos Oceanos, Nosso Futuro, tem como objectivo envolver todos os participantes na conservação e utilização sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos. «Quando líderes de vários países, organizações internacionais, a sociedade civil, o sector privado e as comunidades científicas e académicas se reunirem em Nova Iorque para a Conferência sobre os Oceanos, nós vamos testemunhar um ponto de mudança», antecipa o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas. «Vamos ver uma mudança na História, quando a humanidade realmente começar o processo para inverter o ciclo de declínio que a actividade humana acumulada colocou sobre os oceanos», assegura Peter Thomson. A «sociedade azul» é uma força motriz do desenvolvimento sustentável.

 

 

Campanha Mares Limpos

A UNEP, programa das Nações Unidas para o meio ambiente, promove a campanha Clean Seas (Mares limpos), lançada na Cimeira Mundial dos Oceanos Bali 2017. A iniciativa global pretende eliminar grandes fontes de lixo marinho até 2022, como microplásticos em cosméticos e desperdício de plásticos descartáveis. Até 80 % de todo o lixo nos oceanos é feito de plástico e, se nada for feito, estimativas apontam que em 2050 os oceanos tenham mais plásticos que peixes. Neste período, 99 % das aves marinhas terão ingerido plástico.

A acção também é dirigida à indústria, para que reduza o uso de embalagens plásticas e redesenhe produtos. A campanha pede ainda a consumidores que mudem os seus hábitos de produção de lixo antes que eles causem danos irreversíveis aos mares. «Está na hora de enfrentarmos o problema do plástico, que ameaça os nossos oceanos. A poluição surge nas praias, repousa nos leitos marinhos e vem parar às nossas mesas», alerta Erik Solheim, director da UNEP. Mais de oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos, causando grande prejuízo aos ecossistemas marinhos, à pesca e ao turismo. Impõe-se uma maré contra o plástico.

 

 

 

Números líquidos

 

238 700 espécies marinhas conhecidas

8 milhões de toneladas de plásticos deitadas anualmente para oceano

80 milhões de toneladas de pescado capturado anualmente

580 espécies marinhas produzidas em aquacultura

90 % do comércio internacional é transportado por mar

50 % do oxigénio que respiramos é produzido pelo oceano

40 % da população mundial sustenta-se a dieta em alimentos marinhos

75 % dos recursos pesqueiros em declínio avançado

90 % dos corais em 2030 estarão sob ameaça de extinção

80 % da poluição nos oceanos deriva da actividade humana em terra

 

Fonte: Fundação Oceano Azul

 

 


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