Quénia: Cem mil desabrigados e mais de 300 mortos
3 de Janeiro de 2008
Cerca de 100 mil pessoas estão desabrigadas e mais de 300 morreram em virtude da violência étnica que explodiu Quénia após as polémicas eleições gerais de 27 de Dezembro, quando o Presidente Mwai Kibaki foi reeleito para um segundo mandato. A oposição contesta a reeleição de Kibaki para um segundo mandato de cinco anos, denunciando fraudes massivas a seu favor.
Dos desabrigados, 70 mil encontram-se no Oeste do Quénia, cenário dos piores actos de violência registados nos últimos dias, e outros 30 mil estariam na região de Nairobi.
A Cruz Vermelha queniana já divulgou um apelo por doações: «Segundo nossas primeiras estimativas, precisamos de 500 milhões de shillings (cerca de cinco milhões de euros) para ajudar pelo menos 100 mil pessoas no país», declarou Abdi Ahmed, Director da Cruz Vermelha no Quénia.
Segundo informações, o Exército queniano participará no transporte de material de emergência às regiões mais afectadas.
«Esta ajuda será essencial porque os postos de controlo criados nas estradas podem impedir a chegada da ajuda humanitária por via terrestre», explicou Ahmed.
De acordo com o porta-voz da Conferência Episcopal do Quénia, P.e Martin Wanyoike, «a Igreja Católica no Quénia está muito amedrontada e preocupada, e teme uma catástrofe humanitária».
«Não queremos repetir a experiência de Ruanda», declarou o representante dos bispos quenianos, referindo-se ao conflito étnico ocorrido nos anos 90, na região dos Grandes Lagos.
O líder da oposição, Raila Odinga, derrotado por uma pequena margem de votos, anunciou um comício para esta quinta-feira, 3 de Dezembro, a desafiar uma proibição do governo para esse tipo de manifestações. O protesto seria contra aquilo a que ele chama de declaração fraudulenta do Presidente Kibaki como vencedor das eleições.
Para Odinga, o governo é irresponsável e está disposto a agarrar-se ao poder a todo o custo, sem ter em conta a vontade popular.
(RONNY MARINOTO)