África: Educação para a paz insuficiente para resolver conflitos
29 de Julho de 2011

A «educação para a paz» sozinha não poderá resolver o problema dos crónicos conflitos armados e outras formas de violência em África, enquanto se mantiverem intactas as principais causas deste flagelo que são de natureza económica.
Esta foi uma das preocupações levantadas na Mesa Redonda sobre «Educação, Paz e Desenvolvimento», decorrida de 26 a 28 de Julho em Kinshasa, capital da RD Congo, por iniciativa da «Associação para o Desenvolvimento da Educação em África» (ADEA).
A ADEA tem-se destacado, ultimamente, na promoção do diálogo entre os principais atores e decisores educacionais em África para se integrar a «educação para a paz» nos currículos escolares, visando despertar nos alunos a consciência pacifista e avessa à violência.
A ideia é cultivar, desde os primeiros ciclos do ensino, uma mentalidade de tolerância universal que passe pela aceitação e pelo reconhecimento das diferenças socioculturais intra e intersocietais tidas como uma das fontes de conflitos entre povos e nações.
Porém, alguns participantes do encontro observaram que, embora a educação para a paz seja um bom começo, é imperioso resolver-se os problemas económicos que, para eles, são a origem primária dos ciclos de conflitos ou guerras civis em África.
Por exemplo, disseram, a maioria dos conflitos, das guerras civis ou das crises violentas no continente «nem sempre têm raízes étnicas ou tribais» mas que derivam da pobreza extrema e da má governação que conduz à concentração da riqueza nacional numa elite minoritária.
Esta situação cria a divisão das sociedades africanas entre os mais pobres e marginalizados e os mais ricos, que acabam por se convencer de serem mais cidadãos que os outros, obrigando estes a sublevarem-se para reconquistar os seus direitos à terra e a outros recursos.
No entender dos defensores dessa visão, estes problemas económicos são de uma perspectiva mais ampla em que os interesses das potências estrangeiras também desempenham um papel crucial de incitação ou fomento do fratricídio para tirarem proveito da fragilidade criada.