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Portugal: Livro conta história de paquistanesa condenada à morte por um copo de água
8 de Setembro de 2011

«A lei anti-blasfémia é uma lei medieval, horrível, que atinge também os muçulmanos, não são só os cristãos, porque quem tem problemas com vizinhos, por exemplo, pode usar esta lei. Só tem de dizer que o vizinho falou contra Maomé e ele vai para a prisão», afirma jornalista co-autora do livro «Blasfémia – Condenada à morte por um copo de água».

 

O livro de Anne-Isabelle Tollet conta a história de Asia Bibi, uma cristã paquistanesa que está presa naquele país há mais de dois anos, condenada à morte por alegadamente ter criticado o profeta muçulmano.

 

Através do marido e do advogado da reclusa, Anne-Isabelle conseguiu fazer chegar perguntas a Asia Bibi. O livro, lançado na quarta-feira, 7 de Setembro, no mercado português, é o resultado dessa colaboração.

 

Para a co-autora, o livro traz uma mensagem fundamental: «A principal mensagem é que todos devem ser livres de pensar e ter a sua religião, e que devemos respeitar as pessoas. É uma questão de direitos humanos», conclui.

 

No Paquistão, contudo, basta uma denúncia, sem provas, para que alguém acabe na prisão, acusado de blasfemar contra o profeta ou contra o Alcorão. De facto, e embora a lei o preveja, nunca ninguém foi executado de facto por este crime, mas isso não torna o perigo menos real.

 

«Não foi ninguém morto pela justiça não, mas quem for condenado por blasfémia se a justiça não o mata, mata o povo, porque os muçulmanos odeiam quem foi condenado, mesmo que esteja inocente, tem de morrer. Muitas pessoas já foram mortas à saída da prisão ou durante o julgamento», explica a jornalista francesa.

 

Só este ano duas figuras da política paquistanesa, Salman Taseer e Shabhaz Bhatti, foram assassinadas por criticar a lei.

 

Apesar de haver muitas pessoas na situação de Asia Bibi, as circunstâncias da sua detenção, denunciada por colegas de trabalho depois de uma discussão por causa de um copo de água, como indica o subtítulo do livro, e o facto de ser mãe de cinco filhos, colocaram-na no centro das atenções mediáticas. Por essa razão, Anne-Isabelle Tollet acredita que a acusada acabe por ser libertada.

 

«Acredito que sim, que sairá assim que possível, embora seja difícil. Ela sabe que se for libertada pode ir viver para França porque o presidente Sarkozy já disse que será bem-vinda e que vai ajudá-la, porque ele já falou sobre Asia Bibi às autoridades paquistanesas. Mas sabemos que será difícil».

 

«Blasfémia – Condenada à morte por um copo de água» é editado pela Alêtheia e tem preço de capa de 11 euros.

 

As informações são da «Rádio Renascença».



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