Fátima: Era digital representa «um desafio teológico»
3 de Outubro de 2011

O presidente da «Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais» lembrou na sexta-feira, 30 de Setembro, em Fátima, que a era digital representa para a Igreja Católica «não apenas um desafio antropológico mas teológico».
No meio de um mundo marcado pela «normalização da mudança», favorecida pela evolução tecnológica, continua a existir uma «humanidade feita à imagem e semelhança de Deus», com a qual se deve «comunicar com verdade», disse D. Manuel Clemente, no encerramento das «Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais».
A iniciativa, organizada pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, decorreu entre quinta e sexta-feira na Casa de Nossa Senhora das Dores, subordinada ao tema «Era digital: Revolução na cultura e na sociedade».
Mais de uma centena de profissionais ligados à comunicação social religiosa debateram formas da Igreja Católica acompanhar a «revolução digital», aproveitar as potencialidades da Internet, marcar presença nas redes sociais, sem perder de vista a sua «identidade humana» e o caráter «face a face» que sempre privilegiou.
O último dia do encontro foi precisamente dedicado ao painel «Era digital e comunicação na Igreja Católica».
Segundo o presidente do «Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais», que marcou presença nas jornadas, «não há um modelo a seguir» mas sim a convicção de que a era digital «é uma oportunidade imensa de chegar a mais pessoas», que deve ser aproveitada «com entusiasmo».
Para D. Cláudio Maria Celli, «pode haver vários aspetos a corrigir», no caminho que a Igreja tem percorrido nesta área, «mas se houver esta vontade em partilhar a fé com os outros, a meta será atingida».
A forma e o conteúdo da mensagem a transmitir também foram objetos de debate, com o representante do Vaticano a apelar à urgência de «não se transformar a comunicação religiosa numa catequese pouco cativante».
Uma ideia acompanhada por José Luís Ramos Pinheiro, administrador do Grupo Renascença, para quem a «qualidade» deve ser a referência a seguir, enquanto «agregadora de confiança junto de crentes e não crentes».
«O grande desafio, para qualquer instituição nesta área dos media, é estabelecer um compromisso com as pessoas, estruturar ideias, saber ouvir, e para a Igreja Católica não é diferente”, acrescentou Abílio Martins, responsável pelo portal Sapo.
O tema das «Jornadas Nacionais de Comunicação Social» deste ano inspirou-se na mensagem de Bento XVI para o 45.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, na qual o Papa aborda a “profunda transformação operada no campo das comunicações”.
Em 2012, conforme revelou D. Cláudio Maria Celli durante a sua presença em Portugal, a Santa Sé pretende refletir sobre o «silêncio e a palavra: caminho de evangelização».
Texto publicado originalmente pela agência «Ecclesia».