Europa: Cresce perseguição aos cristãos
20 de Setembro de 2011
Há cada vez mais ataques e casos de perseguição a cristãos na Europa. A conclusão é da «Organização para a Segurança e Cooperação na Europa» (OSCE), que organizou um congresso, em Roma, no qual 150 delegados, representando diferentes países e confissões cristãs, debateram o problema.
De acordo com Fernando Soares Loja, membro da «Comissão da Liberdade Religiosa» e único português presente no congresso, em Portugal há poucos casos de violência, mas nota-se uma crescente discriminação, nomeadamente, por parte das autarquias.
Em entrevista ao jornal online «Página1», Fernado Loja fala sobre as preocupações e alguns dos problemas que os cristãos enfrentam hoje: «Há crimes que são cometidos contra pessoas pelo facto de serem cristãs. Se não fossem cristãs, não teriam sido vítimas desses crimes. Isto tem acontecido de forma crescente e, portanto, alarmante em toda a Europa», afirma.
«Em 2010, em 29 países da zona da OSCE, foram registados ataques a templos cristãos, mas há também ataques a cemitérios cristãos e até a cristãos leigos e sacerdotes, inclusive, agressões tão graves que levaram à morte de várias pessoas», explica Fernando.
Sobre a discriminação no trabalho, Fernando Loja salienta que «é um problema gravíssimo, que põe em causa a liberdade de expressão e de consciência».
«Tem-se registado casos de pessoas despedidas. Algumas das vezes consegue-se, devido à pressão pública, que sejam reintegradas, mas, noutras vezes, é preciso ir a tribunal. Por exemplo, um conservador do registo civil que foi despedido porque se recusou, por objecção de consciência, a registar um casamento entre pessoas do mesmo sexo. Noutro exemplo, uma enfermeira no hospital que, perante um doente que estava numa situação terminal, e sem esperança ao nível médico, disse-lhe para confiar em Deus. Foi considerado assédio e a enfermeira foi despedida», explica.
Para Fernando, estes «não são fenómenos isolados, estão a verificar-se um pouco por toda a Europa e são um caso de grande preocupação para quem luta pela liberdade de expressão e pela liberdade religiosa».
O membro da «Comissão da Liberdade Religiosa» refere que em Portugal «não chegámos a situações tão extremas, como de homicídios ou espancamentos de pessoas, mas houve casos de destruição de campas em cemitérios que estão acessíveis ao público, actos de vandalismo».
«Há ainda, por parte de algumas autarquias em Portugal, uma recusa em ceder para eventos religiosos espaços que são cedidos gratuitamente, e com toda a colaboração da autarquia, para eventos culturais, desportivos e outros. Ou seja, há aqui uma mensagem que vem de uma ideia secularista de “Tudo menos religião”, de que a religião deve ficar confinada à casa e aos templos, e isso é algo que nos preocupa muito», conclui.