Síria: Estado pode ser acusado de crimes contra a humanidade
24 de Fevereiro de 2012
A Comissão das Nações Unidas de Inquérito sobre a Síria, criada para investigar as violações dos direitos humanos no país, publicou na quinta-feira, 23 de fevereiro, um relatório afirmando que violações dos direitos humanos generalizadas, de forma sistemática e graves estão a ser cometidas na Síria, com o aparente conhecimento e consentimento dos mais altos quadros do Estado.
A Comissão de Inquérito entregou um envelope selado contendo nomes de pessoas alegadamente responsáveis pela violência para o «Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos».
Essa lista poderá ser usada numa potencial ação judicial por crimes contra a humanidade.
Segundo Paulo Sérgio Pinheiro, chefe da Comissão de Inquérito da ONU, uma parte do relatório lida com a responsabilidade individual e responsabilidade por parte das políticas do Estado.
Segundo o chefe da comissão, a lista também contém nomes de pessoas de grupos armados anti-governamentais que, segundo o responsável, cometeram abusos de direitos humanos.
Mais de oito mil pessoas já morreram no país desde março, altura em que os manifestantes pró-democracia começaram a sair à rua para pedirem mudanças no regime do presidente Bashar al-Assad. O governo sírio indica que o número de mortos é de quatro mil.