Brasil: Líder indígena executado por pistoleiros
22 de Novembro de 2011

O «Conselho Indigenista Missionário» (CIMI) denuncia a execução do líder indígena Guarani, Nísio Gomes, assassinado nesta sexta feira, 18 de Novembro, por pistoleiros encapuzados diante da comunidade de Amambaí, no Mato Grosso do Sul.
Conforme relato do CIMI, 40 pistoleiros cercaram Nísio Gomes e ordenaram que os membros de sua comunidade se deitassem no chão. Testemunhas afirmam que ele recebeu tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. O corpo do cacique Nísio, de 59 anos de idade, foi levado pelos bandidos.
Acredita-se que ele era o alvo principal deste ataque, embora hajam relatos não confirmados de crianças terem sido raptadas e do assassinato de uma mulher.
Antes de ser assassinado, o cacique teve uma conversa particular com o filho Valmir e declarou com firmeza: «Não saiam desta terra. Cuidem dela com coragem. Esta é a nossa terra. Ninguém os tirará daqui. Cuidem dos meus netos e de todas as outras crianças. Deixo esta terra nas mãos de vocês».
Nísio Gomes era líder de um grupo de índios Guarani, 60 dos quais haviam retornado a uma parte de sua terra ancestral no início de Novembro, após terem sido expulsos por fazendeiros pecuaristas.
Membros da comunidade dizem que esta não é a primeira vez que sofrem um ataque desde seu retorno e que capatazes estavam rodeando seu acampamento ao lado da estrada desde a quarta-feira.
Um indígena Guarani disse: «o povo continua no acampamento, nós vamos morrer aqui mesmo. Não vamos sair do nosso tekoha (terra ancestral)».
O assassinato de Nísio Gomes têm semelhanças alarmantes com o assassinato de Marcos Veron, líder Guarani assassinado por pistoleiros contratados por um pecuarista em 2003.
O diretor da «Survival International», entidade internacional que defende povos e comunidades tribais, Stephen Corry, fez um alerta: «Parece que os fazendeiros não estarão satisfeitos até matarem todos os Guarani. Este nível de violência contínua era comum no passado e resultou na extinção de milhares de grupos e sociedades indígenas. É uma absoluta vergonha que o governo brasileiro permita que esta violência continue nos dias atuais».