Benim: Papa leva ao país «O compromisso de África»
17 de Novembro de 2011

Bento XVI parte para o Benim na sexta-feira, 18 de Novembro, levando consigo o documento «Africae Munus – O compromisso da África». As propostas que os bispos africanos entregaram ao Papa, durante a «II Assembleia Especial para a África» em 2009, estão na base do documento.
No final dessa reunião magna, os participantes aprovaram o documento conclusivo dos seus trabalhos, no qual apresentam 57 propostas (proposições).
Os bispos africanos pedem o fim dos conflitos armados e da pena de morte no continente, propondo a criação de um «fundo de solidariedade continental» para o combate à pobreza, que seria gerido pela Cáritas.
Das propostas sai também o apelo em favor de um tratado internacional sobre o comércio de armas e pela abolição das armas nucleares, biológicas ou de destruição em massa.
No centro do documento estão temas como o diálogo inter-religioso, em especial com o Islão e as religiões tradicionais, a defesa do ambiente, a necessidade de democracia em toda a África – em especial face à «expansão» de sistemas despóticos e militares -, a defesa da família ou a atenção aos fenómenos migratórios.
Os participantes no Sínodo de 2009 pediram o perdão da dívida externa e deixaram votos de que os recursos naturais, em especial a água e a terra, sejam geridos a nível local, sem a exploração das multinacionais.
Os bispos de África dizem «não» à corrupção dos políticos e pede maior atenção para as mulheres, crianças e pessoas com deficiência.
Aos governos é pedido que acabem com o drama dos homicídios e dos sequestros, promovendo também uma justa redistribuição dos bens, para criar melhores condições de vida e evitar a chamada «fuga de cérebros».
SIDA, malária, droga e álcool são outras realidades que preocuparam os padres sinodais, para quem a África deve recusar «estilos de vida promíscuos» que alimentam a sua difusão.
À comunidade internacional é pedido que facilite o acesso aos medicamentos e a produção de vacinas, a baixo custo.
«A SIDA é uma pandemia que, juntamente com a malária e a tuberculose, está a dizimar as populações africanas, atingindo duramente a sua vida económica e social. Não pode ser encarada como um mero problema médico ou farmacêutico, nem apenas como uma questão de mudança do comportamento humano», referem os bispos.
«A Igreja pede que os fundos destinados aos doentes de SIDA sejam realmente usados para este fim e recomenda que os pacientes africanos recebam a mesma qualidade de tratamentos que se recebem na Europa», pode ler-se.
As conclusões, que servem de base à exortação pós-sinodal do Papa, referem ainda que «a malária continua a ser a maior causa de morte em África e ilhas adjacentes, contribuindo grandemente para o agravamento da pobreza».
Acompanhe a visita do Papa ao Benim na página do Vaticano sobre a viagem.
Com informações da agência «Ecclesia».