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África do Sul: Cáritas pede decisões corajosas sobre o clima
6 de Dezembro de 2011

Por ocasião da «Conferência da ONU sobre as Mudanças Cilmáticas», o Presidente da «Cáritas Internacional», Cardeal Oscar Andrés Rodriguez Maradiaga, fez um apelo às maiores nações do mundo, afirmando que a humanidade espera desses países decisões corajosas.

 

«O mundo precisa viver na paz e na solidariedade. Na África do Sul, a política durante o período do apartheid criou divisões raciais e hoje os temas ambientais e as políticas energéticas separam o homem da natureza», referiu.

 

«É necessário um acordo ambicioso e juridicamente vinculante baseado no Protocolo de Quioto e decisões firmes para reduzir em mais de 40 por cento a emissão de gases de efeito estufa, até 2020, nos países desenvolvidos», afirmou o cardeal Maradiaga.

 

Ao fim de uma semana de negociações, o chamado segmento técnico do encontro produziu poucos avanços rumo a uma nova fase de redução de emissões sob o Protocolo de Quioto, que vence em 2012, mas segundo observadores mais otimistas, as discussões parecem estar no rumo certo.

 

Enquanto, nas palavras da chefe das Nações Unidas para o clima, Cristiana Figueres, o mundo «se arrasta rumo a uma economia de baixo carbono», a dificuldade maior para a segunda etapa do encontro sul-africano será acomodar as diferentes exigências para a continuação do único acordo internacional sobre redução de emissões.

 

No ano passado, em Cancún, os participantes concordaram em tomar providências para manter o aquecimento global em 2ºC acima dos níveis pré-industriais, mas ainda não se sabe como isso será possível.

 

Cientistas afirmam que, para que a meta seja cumprida, seria preciso que as emissões globais de CO2 começassem a entrar em declínio a partir de 2020, ou seja, teriam que atingir o seu pico antes disso.

 

No entanto, em vez de estarem em vias de estabilização, elas parecem estar em crescimento acelerado. E os países em desenvolvimento, principalmente, China e Índia são os maiores contribuintes para o aumento das emissões.

 

O argumento dos Estados Unidos, engrossado por Canadá e Japão, é que um acordo obrigatório de redução de emissões sem estes países (e o Brasil) não teria o efeito desejado.

 

Essa exigência de metas de redução obrigatórias para os países em desenvolvimento esbarra, no entanto, em forte resistência dos últimos, que afirmam ter o direito de aumentar as suas emissões se isso for garantir o crescimento de suas economias.

 

Uma das soluções de meio termo que vêm sendo estudadas seria aguardar até 2015 para então fechar-se um acordo que abarcasse todos os envolvidos.

 

Neste cabo de guerra, a União Europeia tem dado sinais de que estaria disposta a assumir metas obrigatórias em um acordo que previsse a adesão de outros países a partir de 2015 - como uma versão suave do Protocolo de Quioto.

 

Nos próximos dias, segundo observadores, será preciso muita conversa entre os envolvidos para que se chegue a acordos sobre as salvaguardas previstas no mecanismo.

 

Outro tema que avançou lentamente na primeira semana foi a concretização do Fundo Verde para o Clima, outra ideia lançada no encontro de Copenhaga e oficializada no ano passado em Cancún.

 

A ideia é que os países ricos liberem 100 mil milhões de dólares até 2020 para ajudar os afetados pelas mudanças do clima.

 

No entanto, o governo americano já se afastou do plano, e organizações ambientalistas denunciam que os países ricos tentaram, ao longo da semana passada, jogar a responsabilidade por estes recursos para a iniciativa privada.



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