Israel: Segregação de mulheres gera protestos
29 de Dezembro de 2011
Milhares de israelitas protestaram na terça-feira, 27 de Dezembro, na cidade de Beit Shemesh, próxima a Jerusalém, contra judeus ultra-ortodoxos que querem segregar homens e mulheres.
O estopim dos protestos foi o caso de Naama Margolis, uma menina de oito anos que sofreu agressões por parte de ultra-ortodoxos no caminho para a escola.
A história da menina, divulgada pelo canal 2 da TV israelita, causou indignação geral no país, trazendo à tona um problema que se alastra por várias cidades de Israel, em regiões nas quais há grandes concentrações de judeus ultra-ortodoxos.
Os manifestantes pediram que as autoridades do país mudem a atitude em relação à segregação das mulheres, passando a tratar o fenómeno como crime.
Nos bairros de maioria ortodoxa há sinais a exigir que as mulheres se vistam de forma modesta e andem em passeios diferentes dos homens. Os autocarros são, de facto, segregados, com as mulheres a serem obrigadas a sentar-se nas filas de trás. As que não fazem chegam a ser expulsas. Todas estas regras contrariam a lei nacional, mas são impostas nas comunidades que insistem que as suas próprias leis religiosas são superiores às ordenações civis.
A história de Naama sensibilizou a opinião pública e o fenómeno da segregação, que já existe há anos, começou a ser contestado com mais veemência. A repercussão do caso incentivou várias outras famílias, de outras cidades, a revelar agressões semelhantes.
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que a segregação das mulheres é um fenómeno «negativo que contradiz os valores democráticos que caracterizam o Estado de Israel».
O presidente Shimon Peres também condenou a segregação e declarou que «ninguém tem o direito de ameaçar qualquer menina ou mulher adulta, eles (os ultra-ortodoxos) não são os donos do país».