1 de Janeiro: A paz que falta
30 de Dezembro de 2011

Para conseguir a paz que lhe falta, a África tem necessidade de justiça.
O ano novo de 2012 começa sob o signo da paz, com a celebração do Dia Mundial da Paz no primeiro dia de Janeiro. Na sua mensagem para a efeméride, o papa faz um apelo à educação, de todos mas especialmente dos jovens, para a justiça e para a paz. A reflexão e a proposta de Bento XVI são certamente oportunas e reflectem, sobretudo, a situação vivida na Europa e a norte do mundo, «onde cresceu o sentido de frustração por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia».
A sul do mundo, particularmente na África, a paz que falta sente-se com urgência gritante nas várias situações de conflito que se arrastam no continente e que esperam por uma acção mais decidida por parte dos líderes políticos e religiosos. A voz de Bento XVI em favor de uma educação eficaz para a paz junta-se à de outros líderes que gritam pelo fim destes conflitos que fazem sangrar a África dos nossos dias e transformam num inferno a vida de milhões de africanos: «A paz não é possível na Terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da fraternidade.»
A Igreja Católica no continente propõe-se, à luz das conclusões do último sínodo africano, trabalhar pela reconciliação e a paz dos povos africanos. Depois de anos de silêncios comprometedores, os líderes católicos no continente têm muito que dizer, e sobretudo que fazer, acerca dos conflitos que martirizam a África. A ausência de profecia tem de ser superada com tomadas de posição e uma acção pastoral mais incisivas em favor da reconciliação e da paz, da resolução dos conflitos que dividem etnias e povos no continente. Bento XVI deixa-lhes uma dica importante na sua mensagem: «Para sermos verdadeiramente artífices de paz, devemos educar-nos para a compaixão, a solidariedade, a colaboração, a fraternidade, ser activos dentro da comunidade e solícitos em despertar as consciências para as questões nacionais e internacionais e para a importância de procurar adequadas modalidades de redistribuição da riqueza, de promoção do crescimento, de cooperação para o desenvolvimento e de resolução dos conflitos.»
Os conflitos armados em África são alimentados pelo tráfico das armas, pela ambição pessoal e de grupo dos líderes políticos africanos, pelas tensões étnicas, pelo jogo amoral das nações interessadas nas matérias-primas de que o continente é rico. Mas não só. São alimentados igualmente pela corrupção, pelo nepotismo e pelo exclusivismo étnico que alastram na sociedade e na Igreja em África. Para conseguir a paz que lhe falta, a África tem necessidade de justiça, como recorda Bento XVI: «A paz para todos nasce da justiça de cada um, e ninguém pode subtrair-se a este compromisso essencial de promover a justiça.»
A paz que falta em África é um desafio partilhado por cristãos e muçulmanos no continente, o maior e o mais urgente. Deixando definitivamente de lado as violências recíprocas do passado, os líderes cristãos e muçulmanos estão chamados a mostrar que as suas religiões unem as pessoas e são amigas da paz, ajudam a olhar o futuro com esperança e trabalham activamente para dar à África um rosto mais humano e fraterno.
Padre Manuel Augusto Ferreira, Director da Revista Além Mar
«Educar os jovens para a justiça e para a paz»
A mensagem do Papa Bento XVI para o «45.º Dia Mundial da Paz», a ser celebrado em 1 de Janeiro de 2012, é dedicada ao tema «Educar os jovens para a justiça e para a paz».
O tema escolhido pelo Papa aborda uma questão urgente no mundo de hoje: «Escutar e valorizar as novas gerações na realização do bem comum e na afirmação de uma ordem social justa e pacífica, na qual possam ser plenamente manifestados e realizados os direitos e liberdades fundamentais do ser humano».
Leia aqui a mensagem completa.