Egito: Um ano após a revolução
26 de Janeiro de 2012
A revolução árabe completou um ano no dia 25 de Janeiro de 2012 e o Padre Luciano Verdoscia, missionário comboniano, foi chamado pela agência «Fides» para fazer um balanço deste período vivido após a queda do regime de Hosni Mubarak.
De acordo com o missionário, «o primeiro facto que impressiona é que nos países onde houve mudanças de regime, houve um forte avanço dos partidos islâmicos».
«No Egito, os partidos que evocam posições religiosas obtiveram juntos 70 por cento das cadeiras na Câmara Baixa. Os cargos foram divididos entre os Irmãos Muçulmanos (40 por cento) e os salafitas (30 por cento). No entanto, houve contestações: alguns afirmam que entre 15 e 20 por cento desses resultados foram obtidos com fraude, mas esses protestos parecem não ter tido seguimento», refere o padre Verdoscia.
«Alguém lançou o slogan de dar início à segunda revolução, mas não creio que isso acontecerá», revela.
Para este sacerdote que vive na cidade do Cairo, as eleições para o Senado e para o Chefe de Estado que devem se realizar nos próximos meses devem caminhar na mesma direção.
«Num país onde 40 por cento das pessoas vive abaixo da linha de pobreza, a identidade religiosa é muitas vezes a única coisa que oferece dignidade às pessoas. Os Irmãos Muçulmanos recolheram ainda o fruto de décadas de atividades sociais e caritativas nos bairros mais pobres e nas zonas rurais», explica.
Sobre os jovens que deram vida a revolução, o padre Verdoscia explica que estes «não agiram por motivos religiosos, mas para pedir democracia e mais justiça».
«Foram protagonistas desta primeira fase da revolução, como os movimentos «6 de Abril» e «Kifaya» («agora chega»). Num segundo momento, os Irmãos Muçulmanos e os salafitas passaram por cima desses movimentos, pois são bem organizados e bem financiados».
Isso não significa, segundo o missionário comboniano, que a democracia tenha ficado em segundo plano, porque entre os «Irmãos Muçulmanos existem diversas posições, inclusive contrastantes. Agora que estão no poder, veremos como governarão».
«Entre as questões que os novos governantes deverão enfrentar, estão o relançamento da economia e a definição do papel dos militares no futuro. Sobre esses temas, penso que os eleitores poderão analisar os resultados», conclui.