Mundo: Eliminar a violência contra as mulheres
24 de Novembro de 2011

No dia 25 de Novembro assinala-se o «Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres», data designada oficialmente pelas Nações Unidas (ONU) desde 1999. Os casos de violência em Portugal registam acréscimos significativos e alarmantes, sendo muitas vezes a mulher o alvo mais atingido. Segundo as estatísticas, as mulheres constituem 93 por cento das vítimas, o que revela a urgência em erradicar este fenómeno.
A mulher sofre diversas formas de violência: independentemente da sua classe social, raça e idade, sofre também uma violência específica, de género, derivada da subalternização da população feminina.
A violência física é uma das expressões extremas das contradições de género, que revela a crueza e profundidade do problema. É no espaço doméstico que ela é mais frequente e apresenta variadas formas. Contrariando o senso comum, as pesquisas indicam que o lugar menos seguro para a mulher é a sua própria casa. Segundo dados mundiais, o risco de uma mulher ser agredida em casa, pelo marido, ex-marido ou actual companheiro, é nove vezes maior do que o de sofrer alguma violência na rua.
Escondida pela cumplicidade da sociedade e pela impunidade, a violência contra a mulher ainda é um fenómeno pouco visível. Os casos que chegam às autoridades são apenas a ponta do iceberg. Os registos de ocorrência nas polícias revelam um número significativo de casos provenientes das classes alta e média alta, contrariando a tese, de que a violência contra a mulher, é apenas o resultado de uma cultura da pobreza ou da baixa escolaridade.
Dados relativos ao ano de 2010, divulgados pela organização «Apoio à Vítima», sobre a violência praticada por filhos contra os pais revelam a seguinte situação:
Sexo da vítima: Feminino 82,8 por cento
Sexo do autor: masculino 71,7 por cento
Idade da vítima: 65+ anos 39,3 por cento
Idade do Autor: entre 25 e os 35 anos de idade 18,4 por cento
Relação com o autor do crime: filho/a 7,5 por cento
Maus-tratos psíquicos 34,6 por cento
Maus-tratos físicos 29,2 por cento
A partir da década de setenta, do século XX, como resultado da luta das mulheres contra a discriminação, a questão da violência doméstica, transferiu-se do espaço privado para o espaço público, passando a ser encarada como um problema social a combater. Em vários países, começaram a ser postas em prática políticas públicas, destinadas a enfrentar este flagelo social. Mas as respostas ao problema da violência doméstica, no tocante às políticas públicas, são ainda insuficientes. O combate à violência contra a mulher exige acções integradas em diversos níveis, áreas e instâncias. Como problema público, exige políticas públicas, decididas e devidamente apoiadas.
A violência contra a mulher é um problema complexo, que não se resolverá de forma simplista. Encontrar soluções, representa um enorme desafio para o movimento feminista, para as mulheres em geral, e para todos os segmentos da sociedade. Tal como o problema do racismo, é um problema de todos e de nenhuma raça em particular, também, o problema da violência contra a mulher, é um problema de todos e não apenas das mulheres.