Egipto: Dia importante para o futuro do país
25 de Novembro de 2011
Milhares de egípcios participarão nesta sexta-feira, 25 de Novembro, da manifestação chamada de «Sexta-feira da última oportunidade» para exigir do «Conselho Superior das Forças Armadas» que deixe o poder e transfira imediatamente o comando a uma autoridade civil.
Os opositores pedem que os militares transfiram o poder a um conselho interino, organismo que governaria o país até a realização das eleições parlamentares, cuja primeira fase começa em três dias, e, se o novo Parlamento transmitir confiança, poderá permanecer até as eleições presidenciais em 30 de Junho.
De acordo com o padre Luciano Verdoscia, missionário comboniano no Cairo, «parece que os factos dos últimos dias aumentaram a conscientização política dos manifestantes e de seus defensores sobre os riscos que o processo democrático corre.
«Na comunicação social surgiram artigos sobre uma aliança secreta entre militares e islâmicos, Irmãos Muçulmanos e salafitas. Isso porque, segundo algumas interpretações, os militares preferem que haja um governo islâmico do que um governo laico, para garantir seu papel político no futuro. Além disso o representante dos Irmãos Muçulmanos foi afastado pelos jovens da Praça Tahrir porque não querem que políticos explorem seu protesto para fazer campanha eleitoral», explica o missionário.
«Por outro lado é preciso considerar que o Egipto não é um país composto apenas por estudantes e intelectuais, mas, sobretudo é feito de pessoas que moram nos campos e em bairros populares, que têm como preocupação ter uma botija de gás e ganhar suficientemente para comer diariamente, e sua identidade é religiosa. Pessoas que ouvem o líder da pequena mesquita do campo», acrescenta o padre Luciano.
Este sacerdote acredita que «se os jovens do protesto, os intelectuais, e os meios de comunicação começarem a denunciar manobras de poder, como o fizeram antes, certamente haverá uma repercussão positiva no processo de democratização do país.