Egipto: País mobilizado pelo desejo de mudança
23 de Novembro de 2011
«O Egipto se mobiliza e o desejo do povo por uma verdadeira mudança se torna sempre mais insistente», afirmou o Pe. Luciano Verdoscia em declarações para a «Agência Fides – ligada ao Vaticano.
«Os últimos acontecimentos desmentem, a meu ver, algumas opiniões publicadas nos jornais locais, segundo as quais os protestos derivam de uma estratégia dos Irmãos Muçulmanos e dos salafitas para criar caos no país e desacreditar o exército e o governo, para depois tomar o poder. São interpretações que nunca acreditei», afirma este missionário comboniano que vive e trabalha no Cairo.
De acordo com o padre Luciano, verifica-se ainda o que aconteceu sob o regime de Mubarak, «são os jovens que saíram mais uma vez às ruas com precisas motivações e pedidos: fim das prisões e dos processos arbitrários contra os ativistas políticos, garantir assistência às famílias daqueles que morreram ou ficaram feridos durante a revolução contra Mubarak, protestar contra os princípios extra constitucionais afirmados pelos militares, a existência da polícia secreta que foi formalmente desmembrada e assim por diante».
O Pe. Luciano ainda se demonstra prudente sobre o possível sucesso dos partidos islâmicos nas próximas eleições de 28 de Novembro: «É verdade que existe um consenso dentro do país em relação ao islamismo, que em termos eleitorais pode representar entre 30-35 por cento dos votos. Mas neste novo Egipto está se difundindo também uma mentalidade laica. Existem pessoas que têm a coragem de dizer que querem separar o Estado e a religião. Não creio, portanto, que os grupos que se referem ao islamismo possam obter a maioria absoluta. Penso que obterão uma maioria relativa, e isso é um bem, porque as pessoas se conscientizarão de como esses grupos vão agir».
A junta militar que controla o poder no Egipo concordou na terça-feira, 22 de Novembro, em formar um «governo de salvação nacional» e aceitou agilizar o processo eleitoral do país, segundo relatos.
As medidas se seguem a três dias de violentos protestos na Praça Tahrir, no Cairo, onde manifestantes vinham criticando os militares por supostamente se apegar ao poder e pela lentidão na transição para um governo civil.
Nesse sentido, grupos políticos e militares decidiram que as eleições parlamentares, agendadas para a partir da semana que vem, serão mantidas. As eleições presidenciais devem ocorrer até Junho de 2012 – essa era uma das principais demandas dos manifestantes egípcios.