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África: É possível controlar a SIDA
28 de Novembro de 2011

Em África, novos programas mostram que é possível controlar a SIDA. Com projetos simples, financiados por instituições internacionais, Ruanda e Quénia são exemplos de que os números da doença podem ser reduzidos mesmo em países pobres e subdesenvolvidos.

 

Nos últimos 30 anos o HIV matou 25 milhões de pessoas, o equivalente a uma vez e meia a população de Portugal. Tem seu lugar garantido entre as piores epidemias da história. Mas, depois desse período de trevas, aparecem as primeiras vozes defendendo seriamente ser possível pôr fim à doença. Como a varíola um dia pareceu invencível — matou 300 milhões de pessoas apenas no século 20 — e foi derrotada, a SIDA pode ter o mesmo destino.

 

O Fundo Global, que financia projetos de prevenção e tratamento da SIDA no mundo inteiro, fala em evitar dez milhões de mortes e 180 milhões de novas infecções entre 2012 e 2016. O relatório do «Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/SIDA» (Unaids) vai ainda mais longe. Fala de «zero novas infecções, zero mortes», sem especificar datas, mas como algo a se aspirar. «Há apenas alguns anos, parecia impossível falar sobre o fim da epidemia a curto prazo. No entanto, a ciência, o apoio político e as respostas comunitárias estão começando a dar frutos claros e tangíveis», disse Michel Sidibe, diretor executivo do órgão.

 

De acordo com a Unaids, nos 33 países mais afetados pelo vírus, os índices de novas infecções caíram em mais de 25 por cento entre 2001 e 2009. Desses 33 países, 22 se encontram na África Subsaariana e mesmo os países que apresentam os piores índices da região – Etiópia, Nigéria, África do Sul, Zâmbia e Zimbabué – conseguiram estabilizar ou mesmo reduzir as taxas de novas infecções.

 

A epidemia na África se tornou a mais crítica do mundo não só pela pobreza que assola o continente. Em países da região leste, os altos índices de transmissão foram impulsionados pelo intensa movimentação de migrantes em busca de trabalho - sobretudo homens. Acredita-se que motoristas de caminhão e prostitutas tenham desempenhado um papel significativo na disseminação do vírus em centros urbanos. Em Nairobi, no Quénia, 85 por cento das prostitutas estavam infectadas em 1986. Na mesma década, 35 por cento dos motoristas testados em Uganda eram positivos.

 

Há ainda questões culturais e religiosas a serem levadas em consideração. Campanhas que incentivavam o uso sistemático de camisinhas, por exemplo, batiam de frente com ensinamentos religiosos. O drama foi amplificado pela demora da comunidade global em prestar socorro. Em 1985, Halfdan Mahler, diretor geral da Organização Mundial de Saúde, afirmou que o HIV não representava um risco tão eminente, e que a prioridade no continente eram a malária e outras doenças tropicais. No ano seguinte, Mahler voltou atrás. A partir de então, a comunidade internacional começou a se mobilizar para tentar frear a epidemia. E os resultados, enfim, são palpáveis.

 

Em Ruanda, um pequeno país no leste da África, com apenas dez milhões de habitantes, a luta contra a SIDA é um exemplo de como mesmo países pobres e que dependem de ajuda externa estão alcançado sucesso na luta contra a doença.

 

Com a sexta maior verba de doações do Fundo Global, o país tem um índice de prevalência do HIV na população de apenas 3 por cento - frente a 7,3 por cento há seis anos. A transmissão vertical, de mãe para filho, também sofreu reduções consideráveis: de 9,7 por cento em 2006 para 2 por cento em 2011. Há ainda um intenso programa de circuncisão, que promete fazer o procedimento em 2 milhões de homens até 2012 e reduzir, assim, 50 por cento das transmissões do HIV.

 

Graças a todas essas medidas, a taxa de resultados positivos em exames caiu de 10,8 por cento, em 2004, para 2 por cento, em 2011. «É possível sim controlar o número de infecções, mas, para isso, é preciso dinheiro. Se o mundo financia tantas coisas menos importantes, como campeonatos de futebol e bombas atómicas, por que se negar a financiar esses programas?», diz Agnes Binagwaho, ministra da saúde de Ruanda.



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