Brasil: Denúncia de violência contra indígenas
3 de Novembro de 2011
Relatório do «Conselho Indigenista Missionário» (Cimi) apresenta denúncias de violência contra os povos indígenas em Mato Grosso do Sul, quando num período de oito anos ao menos 250 indígenas foram assassinados nesta região.
Através de artigos especializados, o documento aprofunda as causas, consequências e caminhos para uma das «realidades indígenas mais violentas do mundo», conforme palavras da vice-procuradora geral da República, Deborah Duprat.
Marcado por uma história de espoliação das terras indígenas, o estado que fica na região Centro-Oeste do país concentra a maior quantidade de acampamentos indígenas: 31. Em 2009 este número era de 22. São mais de 1.200 famílias a viver em condições subumanas à beira de rodovias ou sitiados em fazendas.
De acordo com o relatório, em oito anos de governo Lula, as promessas de solucionar os problemas territoriais dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul não passaram de mero formalismo.
Neste período, o estado concentrou 55,5 por cento dos casos de assassinatos de indígenas no País. Em 2008, foram 70 por cento; em 2010, 57 por cento e nos primeiros nove meses deste ano, 27 indígenas dos 38 assassinados no país eram deste Estado (71 por cento).
Além dos assassinatos, o Cimi registou, por meio de seus relatórios anuais e do acompanhamento a veículos de comunicação, 190 tentativas de assassinato, 176 suicídios, 49 atropelamentos e mais de 70 conflitos relacionados diretamente à causa territorial.
Por fim, o Relatório aprofunda as formas de resistência destes povos, frente este processo de extermínio. Trazem suas grandes assembleias, organização social, religiosidade e documentos como forma de denunciar esta realidade e de continuar anunciando a esperança e coragem que os motiva a lutar por seus direitos Constitucionais.