Fátima: Pescadores ofereceram terço a Nossa Senhora
9 de Janeiro de 2012

Na manhã de 7 de Janeiro, os seis pescadores de Caxinas resgatados do mar a 2 de Dezembro de 2011 peregrinaram ao Santuário de Fátima, cumprindo assim a promessa de agradecer as suas vidas a Nossa Senhora.
No final da recitação do rosário, às 12:30 na Capelinha das Aparições, o mestre da embarcação que naufragou ao largo da Figueira da Foz, José Coentrão, subiu ao altar e entregou nas mãos do sacerdote ao serviço do Santuário, o Padre Manuel Santos José, o singelo terço de plástico com o qual os pescadores rezaram o rosário nas cercas de 60 horas em que estiveram perdidos em alto mar.
Atrás da capelinha, uma outra oferta, que talvez tenha passado despercebida a muitos, foi deixada no local onde habitualmente são depositadas as flores para Nossa Senhora: uma réplica em pequenas dimensões da embarcação naufragada «Virgem do Sameiro».
No momento da oferta do terço, o pároco de Caxinas recordou o naufrágio e salvamento dos pescadores de Caxinas.
«Rezavam a Nossa Senhora de Fátima agarrados a um terço que um tripulante levava ao pescoço», recordou Mons. Domingos de Araújo que acompanhou o numeroso grupo, de mais de 500 pessoas, que peregrinou com os pescadores a Fátima.
«Estamos aqui para mostrar a nossa alegria aos pescadores resgatados e o nosso reconhecimento à Virgem Mãe», afirmou o pároco.
Sobre a entrega a Nossa Senhora do terço com que rezaram no tempo em que estiveram no mar, o padre Manuel Santos José disse: «Levastes convosco uma arma poderosa, capaz de vencer todas as batalhas, agarrastes-vos a ela e nela encontrastes força para vos manterdes unidos e para viverdes essas horas amargas em admirável espírito de solidariedade e de fraternidade: um por todos e todos por um».
«Agistes com sentido de responsabilidade. Fizestes tudo o que podíeis fazer, esperastes que Deus fizesse o resto e assim aconteceu. Repito, para os cristãos não há acasos, mas também não há demissões. (…) Louvo a Deus pela vossa fé. A humanidade, no vosso gesto, ficou engrandecida», disse o sacerdote.
Na sua reflexão, o padre Manuel Santos José comparou o naufrágio à situação atual do país.
«Grande parábola para o nosso país mergulhado em crise económica, financeira e de valores, tomado pelo medo, pânico», disse, explicando: «Ninguém quer perder nada com os seus direitos adquiridos, ninguém quer dar nada de seu; os outros que deem, os outros que se sacrifiquem».
«Faça o país o que fizeram estes bravos pescadores e o país não se afundará», concluiu.