Portugal: Mulheres lusófonas em defesa de Asia Bibi
12 de Janeiro de 2012

É uma campanha para sensibilizar o Governo do Paquistão para o caso de Asia Bibi, condenada à morte por blasfémia. A ex-primeira-dama Manuela Eanes juntou um grupo de mulheres do mundo da lusofonia para apoiar esta causa.
Detida em 2009, a agricultora cristã de 40 anos foi em 2010 condenada à morte por ter bebido água de um poço reservado a muçulmanos e por ter supostamente insultado o profeta Maomé.
A sentença foi proferida à luz da polémica lei anti-blasfémia actualmente em vigor no Paquistão. Há precisamente um ano, o então governador da populosa província do Punjab, Salmaan Taseer, foi assassinado por ter tomado publicamente uma posição contra aquela lei e pela libertação de Bibi.
A recolha de assinaturas está já em curso. A ideia é fazer chegar até ao final do mês uma carta ao Presidente do Paquistão para que recue nesta condenação de Asia Bibi, explica Manuela Eanes.
«A campanha está nessa fase de recolha de assinaturas. Tenho uma carta que tenho mandado a várias mulheres e as respostas têm sido fantásticas. Não são só portuguesas: temos também a Graça Machel, a mulher do antigo presidente de Cabo Verde, deputadas europeias, escritoras. Até ao fim do mês vamos apresentar a carta à embaixadora do Paquistão, para fazer chegá-la ao presidente, e vamos ter um site para fazer grande pressão para que a Asia Bibi não seja condenada à morte por ser cristã».
Este é um caso de direitos humanos, sustenta Manuela Eanes. «Tenho receio que haja um desfecho trágico. Não nos esquecemos que é uma mulher doente, que está a sofrer e que está condenada à morte por ser cristã. Os direitos humanos e a dignidade não têm fronteiras».
Vários líderes mundiais, incluindo o Papa Bento XVI, têm apelado à resolução do caso de Bibi, havendo sinais de que o Presidente Zardari poderá conceder uma amnistia à agricultora.