Vaticano: Papa recorda os migrantes e refugiados
16 de Janeiro de 2012
Bento XVI recordou no domingo, 15 de Janeiro, no Vaticano os «milhões de pessoas» que fazem parte do fenómeno das migrações, no mundo atual, sublinhando que as mesmas são mais do que «números».
«São homens e mulheres crianças, jovens e idosos que procuram um lugar para viver em paz», disse o Papa, a respeito do «Dia Mundial do Migrante e do Refugiado».
A mensagem de Bento XVI para este ano, como o próprio recordou, tem como tema «Migrações e nova evangelização», para frisar que «os migrantes não são apenas destinatários mas também protagonistas» no anúncio da mensagem cristã.
Bento XVI convidou os católicos a viverem «concretamente a solidariedade e a caridade» junto das populações estrangeiras, prestando atenção «às necessidades dos migrantes e refugiados, em particular ao seu desejo de encontrar Deus».
Mais à frente, o Papa recordou a realização da próxima semana de oração pela unidade dos cristãos, entre 18 e 25 deste mês, deixando votos de que se promovam encontros para rezar pelo «dom da plena unidade».
Portugueses lá fora
Em declarações por ocasião deste «Dia Mundial do Migrante e Refugiado» o director da Obra Católica Portuguesa das Migrações considera que os portugueses se sentem cada vez mais empurrados a abandonar o seu próprio país.
«Neste momento, não só os emigrantes como os que estão com necessidade de emigrar, e que não têm saídas em Portugal, sentem-se um pouco rejeitados e empurrados pelo próprio poder político, pelos responsáveis da nação para saírem do país», afirmou o frei Sales Diniz.
O responsável considera que o poder político está «a cometer erros gravíssimos», como o encerramento «das estruturas consulares e de apoio às nossas comunidades, que estão a crescer tanto».
«No futuro, a maioria dos nossos emigrantes vão sentir-se abandonados pelo próprio Estado», afirma, lembrando que há cada vez mais portugueses lá fora.
O director da Obra Católica deixa, por isso, um apelo à Igreja: «É se calhar necessário haver maior generosidade por parte das dioceses em disponibilizar sacerdotes para poderem acompanhar as comunidades que, em alguns países, a nível de número, tem disparado exponencialmente».
Frei Sales Diniz está também preocupado com a discriminação dos emigrantes, sobretudo no mercado de trabalho.
«Sentem-se mais discriminados em algumas buscas de emprego em que não são aceites por serem emigrantes e nesta linha que recebemos as queixas. Os emigrantes sentem-se discriminados e excluídos», afirmou.