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Brasil: Governo teme críticas durante o Sínodo da Amazónia
12 de Fevereiro de 2019

O novo Governo brasileiro teme as previsíveis críticas sobre políticas ambientais durante o Sínodo sobre a Amazónia e traça uma estratégia para barrar a ação de bispos, aos quais chama de “clero progressista”.

 

O plano é recorrer à relação diplomática com a Itália, quando a equipe de auxiliares de Bolsonaro “tentará convencer o governo italiano a interceder junto à Santa Sé para evitar ataques diretos à política ambiental e social do governo brasileiro durante o Sínodo sobre Amazónia”, aponta reportagem do jornal «O Estado de São Paulo» publicada no domingo, 10 de fevereiro.

 

O evento, com duração de 23 dias e que tem grande repercussão internacional, acontece no mês de outubro de 2019, em Roma, e é promovido com ênfase pelo Papa Francisco.

 

De acordo com o jornal, o Governo “quer conter o que considera um avanço da Igreja Católica na liderança da oposição ao governo”.

 

As discussões no Sínodo vão abordar temas como a situação dos povos indígenas e quilombolas e alterações climáticas, consideradas “agendas de esquerda” pelo novo Governo. Nesse sentido, o governo quer ter representantes nas reuniões preparatórias para o encontro em Roma.

 

A reportagem refere ainda que os embaixadores do Brasil na Itália e no Vaticano também terão “a missão de pressionar a cúpula da Igreja para minimizar os estragos que um evento como esse poderia trazer”.

 

Em outra ação diplomática, o Governo brasileiro decidiu realizar um simpósio próprio também em Roma e em setembro, um mês antes do evento organizado pelo Vaticano. Na pauta, vários painéis devem apresentar diferentes projetos desenvolvidos no país com intuito de mostrar à comunidade internacional a “preocupação e o cuidado do Brasil com a Amazónia”.

 

“Queremos mostrar e divulgar as ações que são desenvolvidas no Brasil pela proteção da Amazónia na área de meio ambiente, de quilombolas e na proteção dos índios", disse um dos militares que integram o atual Governo.

 

Também no Brasil haverá eventos planeados pelo Governo com o intuito de divulgar projetos sustentáveis, que envolvem agricultores indígenas e extração legal de madeira.

 

O grupo de bispos brasileiros que prepara o Sínodo sobre Amazónia, critica a presença de representantes do governo federal no evento. O cardeal e arcebispo emérito de São Paulo, d. Cláudio Hummes, Presidente da Comissão Episcopal para a Amazónia e prefeito emérito da Congregação para o Clero em Roma, afirmou que a Igreja Católica não pretende prejudicar Bolsonaro nem dar uma “resposta” a repressões sofridas nos tempos do regime militar. “Deve-se ter a preocupação de não olhar para o passado, mas para o futuro, pois não é a mesma coisa agora”, disse, referindo-se a setores da Igreja que temem a repetição da conturbada relação do clero com a ditadura militar.

 

Recentemente, os Bispos do Nordeste divulgaram uma nota onde criticam a retirada de direitos, que atinge especialmente os mais pobres, e também as intimidações contra defensores da natureza e dos povos indígenas promovidas pelo Governo Bolsonaro.



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