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Colômbia: Exército resgata Ingrid Betancourt e outros 14 reféns
3 de Julho de 2008

Em operação cinematográfica realizada na quarta-feira, 2 de Julho, o exército colombiano resgatou a ex-candidata presidencial, Ingrid Betancourt, três norte-americanos e mais 11 soldados que eram mantidos reféns pelos rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Ingrid Betancourt, que detém dupla nacionalidade francesa e colombiana, foi sequestrada em Fevereiro de 2002, quando fazia campanha para as presidenciais que viriam a ser ganhas pelo actual Presidente, o conservador Álvaro Uribe.

Libertada após passar seis anos em cativeiro na selva colombiana, Ingrid teve um encontro emocionado com a mãe, familiares e amigos que a aguardavam na base da Força Aérea, em Bogotá, e referiu que sua libertação é «um milagre».

«Obrigada ao Exército, por sua operação impecável. Não existem antecedentes históricos de uma operação tão perfeita», salientou.

De acordo com as informações, a operação de resgate, realizada no Estado de Guaviare, no sul do país, envolveu agentes do exército infiltrados nas Farc e os 15 reféns foram libertados sem que «nenhum tiro» tivesse de ser disparado.

Segundo o Ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, os rebeldes das Farc foram «enganados» pelos militares. «Os rebeldes entregaram os reféns pensando que seriam transportados no helicóptero de uma suposta organização de ajuda humanitária para outro campo, onde se encontrariam com o líder das Farc, Alfonso Cano», afirmou.

Em declarações, a própria Betancourt referiu que os reféns pensavam que seriam transportados para outro cativeiro, como ocorria com frequência. Ingrid afirmou que só percebeu que se tratava de um resgate quando viu um de seus captores preso e vendado, no chão da aeronave. Naquele momento, o comandante da operação teria lhe dito: «Somos o exército nacional, vocês estão em liberdade».

Betancourt disse duvidar que os líderes das Farc soubessem o que aconteceu e espera que os guerrilheiros que eram seus guardas e que ficaram na selva «não sejam sujeitos à justiça das Farc, porque não têm culpa do que aconteceu».

Além de Betancourt, foram libertados três cidadãos norte-americanos, sequestrados em 2003, e 11 policiais e soldados colombianos. Eles faziam parte de um grupo de reféns considerados pelas Farc passíveis de troca por guerrilheiros presos em um eventual acordo com o governo colombiano. Entre os 15, Betancourt era considerada a refém mais importante.

A notícia do resgate foi comemorada por vários líderes mundiais e festejado nas ruas de Bogotá e de outras cidades.

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse esperar que, com a libertação de Betancourt, «tenha sido dado um passo importante para a libertação de todos os demais sequestrados, a reconciliação de todos os colombianos e a paz na Colômbia».

Em França, o Presidente Nicolas Sarkozy, que fez da libertação de Betancourt uma prioridade de sua política externa, deu uma declaração no Palácio do Eliseu ao lado dos dois filhos da ex-refém. Sarkozy felicitou as autoridades colombianas pelo sucesso da operação e lançou um apelo para que as Farc cessem «um combate absurdo e medieval».

O Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonou ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, para elogiar a libertação dos reféns.

À noite, em um pronunciamento transmitido pela TV colombiana, Uribe felicitou o Exército pelo sucesso da operação e pediu às Farc que libertem todos os reféns em seu poder e aceitem o convite do governo para negociar a paz.

(RONNY MARINOTO)



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