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Evangelho para o fim-de-semana: Missão e partilha para que todos tenham Vida
1 de Agosto de 2008

Missão e partilha para que todos tenham Vida

 

XVIII Domingo do T.C.

Ano “A” - Domingo 3.8.2008

 

Isaías  55,1-3

Salmo  144

Romanos  8,35.37-39

Mateus  14,13-21

 

Reflexões

Nas leituras deste Domingo tudo fala de abundância, de gratuidade. Tal é a salvação que o nosso Deus oferece generosamente a todos. O profeta (I leitura) convida todos a beber água, vinho e leite em abundância, sem dinheiro e sem despesa (v. 1), e promete coisas boas e vinhos suculentos. O salmo responsorial insiste sobre a ternura e a bondade do Senhor que é paciente e misericordioso para com todos, sacia a fome de todo o ser vivente e está perto de quantos o procuram com coração sincero. O Apóstolo Paulo (II leitura) afirma com entusiasmo que nenhuma criatura nos poderá separar do amor de Cristo, porque “nós somos mais que vencedores pela força daquele que nos amou” (v. 37). Um sinal tangível de tal abundância é a multiplicação dos pães (Evangelho), graças à qual muitas pessoas se saciam de pão e de peixe e ainda sobra. A situação inicial de aperto (lugar deserto, falta de comida, a quantidade de gente...) é superada pela compaixão de Jesus para com a grande multidão (v. 14) Ele renuncia mesmo a um tempo de luto pela morte do seu amigo João Baptista (v. 13); ele põe em movimento o seu poder milagroso e de partilha, para que o alimento chegue a todos, com super-abundância.

 

Jesus envolve os apóstolos na solução do problema: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (v. 16): quer que tomem consciência da situação e procurem com criatividade e audácia soluções possíveis. Sem adiar e sem atrasar! Somente com a lógica da partilha é possível superar grandes problemas tais como a fome no mundo, doenças endémicas... Sem a partilha prevalece a lógica do acumular: até grandes multiplicações de pão acabariam por ficar nas mãos de poucos. Sem a partilha o que fica é o império do egoísmo. Foi à partilha que o papa Bento XVI apelou recentemente por ocasião dos vértices da FAO, dos G-8 e outros, levantando a voz em favor dos pobres da terra, particularmente da Africa, “continente tantas vezes esquecido” e necessitado de desenvolvimento autêntico. (*)

 

Sobre as areias de Villa El Salvador, na periferia sul de Lima (Perú), o papa João Paulo II encontrou-se com um milhão de pobres, na manhã de 5 de Fevereiro de 1985. Durante a liturgia da Palavra, foi proclamado o evangelho da multiplicação dos pães e o papa fez a sua exortação missionária; ao fim do encontro, visivelmente impressionado. Falou espontaneamente, resumindo assim a sua mensagem: “Hambre de Dios, SÍ. Hambre de pan, NO” (Fome de Deus, SIM. Fome de pão, NÃO). Esta síntese doutrinal deu a volta ao mundo e permanece esculpida no monumento que hoje ali recorda a visita do papa. É uma síntese que explica e sustenta o trabalho missionário: fomentar a fome de Deus e eliminar a fome de pão.

 

Na multiplicação dos pães vê-se tradicionalmente uma ligação íntima com a Eucaristia, vista sobretudo como o banquete do Pão da Vida que se multiplica e se reparte por todos. A missão também é pão repartido para a vida do mundo. Deste modo, Eucaristia, missão e partilha constituem um trinómio inseparável. A Eucaristia é o banquete dos povos: a missão convoca todas as gentes para este banquete da Vida da Graça e motiva para a partilha fraterna e solidária, para que exista pão sobre a mesa de todos. Nós os cristãos, que nos alimentamos com o Pão da Palavra e da Eucaristia, e com frequência estamos saciados do pão das nossas mesas, somos fortemente interpelados para um maior compromisso missionário em favor do desenvolvimento dos pobres.

Para que todos tenham vida em abundância! (Jo 10:10).

 

 

A Palavra do Papa

(*) “A Eucaristia é escola de caridade e de solidariedade. Quem se alimenta do Pão de Cristo não pode permanecer indiferente perante quem, também nos nossos dias, não tem o pão quotidiano. Muitos pais têm grande dificuldade de obtê-lo para si e para os próprios filhos. É um problema cada vez mais grave, que a comunidade internacional tem grande dificuldade em resolver. A Igreja não só reza «o pão nosso de cada dia nos dai hoje», mas, a exemplo do seu Senhor, compromete-se de todas as formas para multiplicar os cinco pães e os dois peixes com numerosas iniciativas de promoção humana e de partilha, a fim de que a ninguém falte o necessário para viver”.

Bento XVI

Roma, Angelus de 25 de Maio 2008

 

 

Nas pegadas dos Missionários

- 4/8 : S. João Maria Vianney (1786-1859), durante 40 anos pároco de Ars, evangelizador e catequista, promotor das missões populares.

- 6/8 : Festa da Transfiguração do Senhor: “Que o teu rosto, Senhor, brilhe diante de todos os povos”. - Lembrança do Servo de Deus Paulo VI, falecido ao entardecer deste dia (+1978).

- 6/8: B. Ana M. Rubatto (1844-1904), fundadora e missionária na América Latina, morreu em Montevideu; é a primeira beata do Uruguai.

- 8/8: S. Domingos de Gusmão (1170-1221), sacerdote espanhol, missionário itinerante e evangelizador entre os povos da França, fundador da Ordem Dominicana.

- 8/8: Maria Mackillop (Sydney +1909), religiosa e fundadora, primeira beata Australiana.

- 9/8: S. Teresa B. Da Cruz (Edith Stein, 1891-1942), alemã de origem hebraica, converteu-se ao Cristianismo e tornou-se monja Carmelita. Foi martirizada em Auschwitz (Polonia). Co-padroeira da Europa.

 

Colaboração e agradecimentos

Coordenação: P.e Romeo Ballan – Parola per la Missione

Tradução: P.e Fernando Domingues

Missionários Combonianos de Verona

(RONNY MARINOTO)



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