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Quénia: Bispos preocupados com onda de violência nas escolas
28 de Julho de 2008

Os bispos do Quénia exprimiram «grande preocupação pela onda de violência e de desordens nas escolas secundárias». Em todo o Quénia, são mais de 300 as escolas secundárias que participam da revolta. Uma insurreição que atinge, além das escolas públicas, diversos institutos particulares, inclusive as escolas católicas. Em diversos casos, estudantes saquearam e queimaram as estruturas escolares. O dormitório do seminário menor «Regina dos Apóstolos», da arquidiocese de Nairobi, também foi danificado. A polícia afirmou ter detido cerca de 70 estudantes.

Em mensagem assinada pelo presidente da Comissão para a Educação da Conferência Episcopal do Quénia, Dom Maurice Anthony Crowley, os bispos exprimem sua «grande preocupação pela onda de violência e de desordens nas escolas secundárias», que, segundo eles, se tornou um problema nacional.

«A amplitude das violências e da destruição de bens é um sinal evidente da degradação social dos valores e do senso de responsabilidade», afirma o documento. Para os bispos, existem diversas causas que estão a provocar a fúria dos estudantes, como o trauma vivido no país durante os recentes confrontos étnicos e a falta de responsabilidade política, pois os estudantes «estão a imitar aquilo que os adultos fizeram em Janeiro e Fevereiro deste ano, durante os confrontos pós-eleitorais».

Ainda entre as causas, os prelados apontam a ausência de um «espírito de tolerância e de perdão; a falta de um guia e de controlo dos pais; o descontentamento dos jovens por não sentirem-se parte da sociedade; a falta de tempo e de lugares de socialização; a rigidez do sistema escolar, orientado apenas para o êxito nas provas; o medo em relação ao futuro e ao desemprego; e a proliferação das drogas».

O comunicado indica que o caminho para se resolver a questão está, antes de tudo, «na responsabilidade de cada um, dos pais, dos professores, dos estudantes, dos políticos e dos meios de comunicação».

A mensagem dos bispos pede um ano de suspensão para os estudantes responsáveis pelas violências e que os telemóveis sejam banidos das escolas (medida que já foi adoptada pelo governo). Também é feito um convite aos meios de comunicação para não enfatizar as notícias sobre os confrontos, afim de não alimentar processos de imitação.

(RONNY MARINOTO)



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