Sida: Mais de seis, em cada dez infectados, estão em África
30 de Julho de 2008
Mais de seis, em cada dez infectados pelo VIH/Sida, estão em África. Dos 33 milhões de pessoas portadoras de VIH/Sida no mundo, mais de 22 milhões (67 por cento) estão no continente africano. Estas são revelações feitas pelo relatório «Situação da Sida no Mundo 2008», lançado ontem, 29 de Julho, pelo programa das Nações Unidas para pesquisa da doença «Unaids». O estudo anuncia ainda que houve uma diminuição de dez por cento no número de novas infecções. Desde 2001, o número de novos casos baixou de três para 2,7 milhões.
Segundo a pesquisa, o tratamento com antiretroviricos e acções de prevenção seriam as causas para a queda da prevalência mundial. Mas de acordo com o Director Executivo do Unaids, Peter Piot, apesar de o relatório ser o mais positivo até agora, a prevenção contra a doença não deve ser esquecida.
Na conferência de imprensa em Nova Iorque para lançar o relatório, a chefe do Fundo das Nações Unidas para a População, FNUAP, Thoraya Obaid, disse que 45 por cento de todas as novas infecções de adultos em todo o mundo no ano passado ocorreram em jovens entre os 15 e os 24anos.
O relatório aponta a África Subsariana como a região mais gravemente afectada pelo VIH em todo o mundo. A região registou três quartos de todas as mortes por Sida no ano passado.
No entanto, a ONU diz que a situação varia de país para país, e que em algumas partes de África, tem havido um declínio do número de novas infecções.
A África Austral tem ainda uma parcela desproporcionada do fardo global da Sida. A epidemia de VIH em África do Sul, Malawi e Zâmbia parece ter estabilizado, mas a África do Sul, com 5,7 milhões de pessoas a viver com o vírus, continua a ter a maior epidemia do mundo.
«Tem havido progressos em muitos países com muitas pessoas a adiarem as suas relações sexuais, a reduzirem o número de parceiros e a usarem preservativos. No entanto, os jovens continuam muito vulneráveis nessa área, e a vulnerabilidade deve-se a que muitos jovens ainda carecem de informação geral e rigorosa sobre como se podem proteger da infecção», salienta o estudo.
O relatório da Unaids afirma que no Ruanda e no Zimbabué, por exemplo, mudanças no comportamento sexual foram seguidas pelo declínio do número de novas infecções. O programa referiu-se também a sinais encorajadores de que os jovens estão a esperar mais tempo para terem relações sexuais.
O Unaids adianta ainda que em Portugal, perto de 34 mil pessoas, com idades superiores a 15 anos, estavam infectadas no ano de 2007 com o vírus do VIH. O relatório aponta que o número de mortes de adultos e crianças portuguesas no ano passado devido à doença foi inferior a 500 e que Portugal é um dos 16 países onde existe mais de 75 por cento de cobertura de tratamento antiretrovirico para adultos e crianças com a doença em estado avançado.
A preparar-se para a «Conferência Internacional sobre VIH/Sida», de 3 a 8 de Agosto, no México, a Igreja Católica afirma que sua posição «a favor da abstinência e da fidelidade» representa uma contribuição valiosa para a defesa da vida e da saúde.
(RONNY MARINOTO)