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China: Países Africanos de Língua Portuguesa são coadjuvantes nos Jogos Olímpicos
8 de Agosto de 2008

Representados por pequenas delegações em Beijing, os «Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa» (PALOP) não ostentam grandes esperanças de medalhas. A moçambicana Lurdes Mutola, que compete nos 800 metros, é a estrela maior. Os restantes atletas de Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe vão pela experiência e para mostrar o país.

Realmente, o sonho de uma medalha só é mesmo permitido à moçambicana Maria de Lurdes Mutola que, aos 35 anos, ganhadora de uma medalha de bronze (Atlanta 1996) e uma de ouro (Sydney 2000) nos 800 metros, prepara-se para viver os seus últimos Jogos. Moçambique conta ainda com a participação de Kurt Couto nos 400 metros com barreiras do atletismo, dois nadadores e um judoca, ao abrigo de um privilégio atribuído pelo Comité Olímpico Internacional aos países menos competitivos. Todos os PALOP beneficiam desta «solidariedade olímpica», que não obriga à disputa de provas de qualificação ou à obtenção de resultados mínimos.

O lutador Augusto Midana é o único guineense qualificado para os Jogos de Beining. Estreante nas lides olímpicas, foi medalha de bronze no Campeonato Africano de 2007.

São Tomé e Príncipe leva a Beijing uma delegação de 12 pessoas, incluindo técnicos e dirigentes, que acompanham dois atletas que competiram também no atletismo.

«Estamos muito longe de obter qualquer medalha, mas se o pódio aparecer será bem-vindo, já que a esperança é a última coisa a morrer», disse o chefe da equipa técnica da pré-selecção olímpica de atletismo, António de Menezes. O técnico aposta «numa participação condigna» em nome dos são-tomenses e numa «maior visibilidade» do país.

À semelhança de São Tomé, também Cabo Verde iniciou as suas prestações olímpicas em Atlanta (1996) com uma representação simbólica. «Temos ido aos Jogos sem a pretensão de trazer medalhas para casa», explica o presidente do Comité Olímpico Cabo-Verdiano, Franklin Palma. «A nossa preocupação maior é garantir com a nossa presença alguma visibilidade para Cabo Verde», diz.

Graças a um convite, Cabo Verde tem já assegurada a participação de três atletas em Beijing: Wânia Monteiro (ginástica rítmica), Nelson Cruz (maratona) - ambos radicados em Portugal - e Lenira Santos (200 e 400 metros).

Angola é dos PALOP mais promissores em Beijing, tem já qualificados 30 atletas: 12 no basquetebol masculino, 14 no andebol feminino, dois na natação, um no atletismo e um na canoagem). Os angolanos não esperam obter medalhas, mas os basquetebolistas fazem-nos sonhar... Em 1992, em plenos Jogos Olímpicos de Barcelona, a selecção angolana de basquetebol derrotou a equipa da casa por 20 pontos de diferença, silenciando os ruidosos espanhóis que enchiam o Pavilhão Olímpico de Badalona.

(RONNY MARINOTO)



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