Sudão: Presidente Al Bashir acusado pelo TPI
15 de Julho de 2008
O presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad Al Bashir, foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), na segunda-feira, 14 de Julho, por crimes de guerra e contra a humanidade, na província de Darfur, no oeste do país. Após promotor Luis Moreno-Ocampo ter requerido em Haia, na Holanda, um mandado de captura do presidente Omar al Bashir, as Nações Unidas (ONU) começaram a retirar de Darfur pessoal não essencial. Os juízes do TPI deverão tomar uma decisão dentro de semanas mas entretanto a União Africana (UA) já advertiu que qualquer tentativa de prender o presidente Bashir poderá tornar o Sudão vulnerável a golpes de Estado.
Segundo Ocampo, Al Bashir estaria envolvido ainda em acusações de genocídio. As acusações são relacionadas ao conflito na província que começou em 2003 entre tropas do governo, grupos rebeldes e milícias. A violência teria causado a morte de 300 mil pessoas e o deslocamento de 2,7 milhões.
Mas o governo nega acusações de envolvimento com crimes cometidos em Darfur. No mesmo dia, o embaixador do Sudão na ONU, Abdalmahmood Abdalhaleem Mohamad, rebateu as denúncias e afirmou que a acusação formal é de motivação política. Abdalhaleem Mohamad pediu à ONU para se opor às acusações.
Numa nota, o Secretário-Geral, Ban Ki-moon disse que o tribunal é independente e que a ONU tem que respeitar o processo jurídico. Ban já havia falado ao telefone com o presidente Al Bashir explicando que as Nações Unidas não têm influência sobre o TPI. Durante a conversa, ele pediu ao presidente sudanês para investigar o ataque da semana passada ocorrido em Darfur, que matou sete soldados da Missão da União Africana e das Nações Unidas em Darfur, Unamid.
(RONNY MARINOTO)