Portugal: Superior-geral dos Combonianos fala sobre a missão hoje
23 de Julho de 2010

Durante visita a Portugal, o padre Enrique Sanchez Gonzalez, Superior-geral dos «Missionários Combonianos», concedeu entrevista ao «Programa Ecclesia» para falar sobre missão e nova evangelização.
O missionário recorda que desde o início do pontificado, «Bento XVI insistiu muito nesta tentação do nosso tempo de retirar Deus do nosso quotidiano, do nosso mundo, de nossa história, de nossa vida».
«Em análise que o Papa e a Igreja estão a fazer, não é difícil ler a realidade actual como uma realidade onde encontramos fenómenos como a descristianização e o mundo laicizado. O mundo onde os valores religiosos estão cada vez mais à margem e muitos procuram que este fique na esfera do privado, longe da relação normal», refere o padre.
«Nesse contexto, onde o evangelho não tem o mesmo impacto que tinha noutros tempos, surge a questão de como reevangelizar, como anunciar de novo a boa notícia a esta sociedade. Apesar de todos os esforços por manter Deus à margem, por outra parte manifesta-se uma grande necessidade de Deus, do espírito, do espiritual e dos valores cristãos», explica o Superior-geral dos Combonianos.
Para este missionário, «os anunciadores – do evangelho – terão de ser cada um dos cristãos». «A responsabilidade missionária da Igreja não é de um grupo de privilegiados ou de profissionais da missão, penso que é responsabilidade de todo baptizado», afirma.
Sobre a Europa, o religioso acredita que a região tem muito o que dar: «A Europa tem uma vitalidade cristã que ainda não apreciamos e reconhecemos na sua plenitude. Penso que o que precisa é de ser sacudida, pois o mundo necessita deste testemunho».
Com toda sua experiência, o padre Enrique Gonzalez revela que «toda a capacidade de celebrar a fé, de viver e integrar a fé no quotidiano, são experiências que nós na América ou na Ásia presenciamos todos os dias nas nossas comunidades e na Europa penso que se perdeu essa experiência da fé como algo que faz parte da vida de todos os dias».
«A impressão é de que o cristianismo aqui se faz muito no formal, no organizado, no preparado, no racional. Enquanto que nas igrejas jovens há muito de vivencial, de existencial, que ao fim de contas é o fundamental da fé», explica.
«O senhor veio a nós para que tenhamos vida e que essa vida seja plena, que a desfrutemos e que a partilhemos com todos», afirma.
O padre Gonzales acredita que «haverá esse intercâmbio de experiências entre igrejas jovens e igrejas de tradição mais antigas. Tal como as mais jovens, também precisamos da experiência histórica da igreja na Europa».
O religioso também diz não entender o projecto da nova evangelização como algo apenas para a Europa. «É uma proposta missionária que o Papa está a fazer para toda a igreja, para toda a humanidade. Cristo precisa ser anunciado hoje a humanidade porque vemos que os valores do evangelho fazem falta a humanidade. E tanto vale para a Ásia, como para a América, como para a Europa», afirma.
Sobre a missão hoje, o sucessor de São Daniel Comboni refere que «num tempo a missão concebia-se como eu tenho algo, eu sei algo, vou levá-lo a outros e entrego-lhe e promovo diante dos outros».
«Hoje em dia a missão está a ultrapassar esse esquema, já não sou eu o protagonista ou o paizinho dos outros, mas sou aquele que partilha. Portanto, quando se vai para a missão, leva-se algo mas também se aprende. Dá-se e recebe-se. É o sentimento de partilha por onde passa a missão hoje», explica.
O «Programa Ecclesia» é exibido de segunda a sexta-feira, às 18 horas, na RTP 2.
O vídeo com a entrevista pode ser visto no YouTube.
(RONNY MARINOTO)