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Nigéria: Violência em Jos não teve motivação religiosa
3 de Dezembro de 2008

Segundo o Arcebispo de Abuja, Dom John Onaiyekan, os recentes actos de violência entre cristãos e muçulmanos, que causaram mais de 200 mortos na cidade nigeriana de Jos, «não se devem a motivos religiosos, mas a interesses políticos».

Dom Onaiyekan, que está em Roma, rejeita uma interpretação simplista dos conflitos como sendo motivados pelo ódio religioso e convida as autoridades políticas a assumir a sua responsabilidade: «Queremos destacar, como sempre fizemos, que é responsabilidade primária do governo garantir a segurança da vida e das propriedades dos cidadãos, principalmente por meio da vigilância, da firme e imparcial aplicação da lei e da ordem, da justiça e em geral do bom governo».

«Quem são aqueles que alimentam as violências, manipulando cinicamente a religião?», pergunta o Arcebispo às autoridades nigerianas. «Mais uma vez, vidas e propriedades foram destruídas, causando graves danos, que poderiam ser evitados, e sofrimentos para diversas famílias e comunidades. Estamos especialmente preocupados pelo fato de que os locais de culto tenham sido alvo das violências», acrescenta Dom John Onaiyekan, que também é Presidente da «Associação Cristã da Nigéria».

Em comunicado, o perlado pede às autoridades que «intensifiquem os esforços para restabelecer a paz e a tranquilidade do Estado» e uma investigação para descobrir «os verdadeiros planeadores, promotores e patrocinadores destes incidentes, e levá-los à justiça, seja lá quem forem».

«Há uma clara dimensão política destes incidentes», refere a mensagem de Dom Onaiyekan. «Infelizmente, há os que buscam uma vantagem política utilizando-se da religião, que é cinicamente manipulada, usada e abusada».

O Arcebispo de Abuja afirmou que está em permanente contacto com o Sultão de Sokoto e presidente do «Conselho Supremo de Assuntos Islâmicos da Nigéria», Muhamad Sa'ad Abubakar, com quem está a estudar a possibilidade de publicar mensagens conjuntas de paz dirigidas a ambas as comunidades.

Dom John Onaiyekan assegura que «o governo pode contar com a oração de todos os cristãos nigerianos, e de muitos outros homens e mulheres de boa vontade».

Em nome da Associação cristã da Nigéria, o arcebispo ofereceu o «sincero pesar a todos que perderam pessoas e propriedades nesse infeliz incidente», e pediu orações «especialmente pelas almas dos que foram mortos».

(RONNY MARINOTO)



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