Vaticano: Carta endereçada aos católicos na China
30 de Julho de 2010
A carta que o Cardeal Ivan Dias, Prefeito da «Congregação para a Evangelização dos Povos», endereçou aos bispos e sacerdotes da China, nasce do afecto por esta Igreja, que pode se alegrar pelo testemunho heróico em meio a tantas tribulações e sofrimentos durante cinco décadas.
Três são os motivos que podemos entrever no texto
O primeiro é “uma palavra de encorajamento no árduo compromisso pastoral” que os ministros ordinários desempenham. É um reconhecimento dos desafios sociais, materiais e espirituais que os ministros ordinários devem enfrentar no desempenho de sua missão pastoral. Possui como modelo São João Maria Vianney, que na falta de estruturas, na perversidade de seus tempos e na pobreza de sua pessoa, soube identificar-se e imitar Cristo, o Supremo Pastor de nossas almas.
O sacerdote, o Cardeal recorda, deve ser homem de Deus e Homem para os outros. As duas dimensões são interdependentes e necessárias.
O segundo motivo não é tanto a recordação, mas a recomposição da unidade da Igreja na China, pela qual o Cardeal recorda aqueles que nestes anos trabalharam com sensibilidade e paixão e agora são constatados os progressos. Ele reconhece com satisfação “os esforços já realizados e em andamento”. No entanto, repropondo algumas palavras da Homilia proferidas pelo Santo Padre na solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, 29 de Junho de 2010, reitera que qualquer divisão da Comunidade eclesial é um pecado, e que a unidade requer a sequela radical Cristo que rezou e reza connosco ao Pai para que todos sejam uma só coisa.
O terceiro motivo é um olhar sereno para o futuro desta história, que certamente é guiada pelo amor providente de Deus. Como as gerações passadas souberam dar um intrépido testemunho de Cristo e da unidade da Igreja, assim também as comunidades cristãs de hoje devem testemunhar e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo para as multidões que têm fome e sede de Deus. No coração de Maria Santíssima, Auxílio dos Cristãos, encontrarão a força e o modelo para realizar a sua missão.
O texto foi divulgado na quinta-feira, 29 de Julho, pela agência «Fides».
Igreja na China
A China, com os seus mais de 1,3 mil milhões de habitantes, representa uma prioridade e uma forte esperança para o futuro da Igreja Católica, que conta com mais de 12 milhões de fiéis no país, menos de um por cento da população total.
O Vaticano tem manifestado, por diversas vezes, o desejo de que a China respeite a liberdade de culto e de religião no país, cuja ausência afecta de forma especial os mais de oito milhões de católicos que vivem a sua fé na clandestinidade.
Para o restabelecimento de relações diplomáticas, a China exige que o Vaticano deixe de reconhecer Taiwan como país independente e que o Vaticano aceite também a nomeação dos bispos chineses por parte da «Associação Patriótica Católica» (APC), controlada pelo Estado.
A APC foi criada em 1957, para evitar «interferências estrangeiras», em especial do Vaticano, e para assegurar que os católicos viviam em conformidade com as políticas do Estado.
A partir da década de 80 do século passado, a APC passou a procurar a aprovação pontifícia para os seus Bispos, em segredo. Hoje em dia, estima-se que cerca de 90 por cento dos Bispos da APC sejam reconhecidos pelo Vaticano.
(RONNY MARINOTO)