A fome que ameaça mais de cinco milhões de nigerianos deverá ser a prioridade da junta que tomou o poder no Níger. Mamadou Tandja, o prresidente destituído, negava a existência da situação da fome no país.
«A prioridade das prioridades para o Conselho Supremo para a Restauração da Democracia e Paz (CSRD, junta militar) é assistir as populações nigerianas confrontadas com problemas alimentares e encontrar soluções urgentes para a fome que poderá instalar-se no país se não se controlar esta situação», indicou na quarta-feira, 24 de Fevereiro, Djibo Hamani, professor-investigador na Universidade Abdou Moumouni de Niamey.
Segundo um inquérito nacional, um lar em cada cinco (2,7 milhões de pessoas) encontra-se numa situação de grande vulnerabilidade alimentar. Duas em cada cinco nigerianos (5,1 milhões) estão em situação de vulnerabilidade moderada. Mais da metade da população estima ter menos de dois meses de provisões alimentares até às próximas colheitas esperadas em Outubro de 2010.
A Junta também instou os meios de comunicação a apoiá-la na sua vontade de reconciliar os nigerianos e a trabalhar para a instauração de um clima de paz.
O porta-voz do CSRD, o coronel Goukoye Karimou, disse que é indispensável na fase actual do país criar as condições de um apaziguamento do clima sociopolítico.
O CSRD tomou o poder na passada quinta-feira, 18 de Fevereiro, ao derrubar o Presidente Mamadou Tandja, cujas tentativas de permanecer à frente do país após o fim dos seus dois mandatos constitucionais de cinco anos acabaram por instaurar uma grave crise no Níger.