Egipto: Igreja na recuperação de deficientes marginalizados
5 de Março de 2010
Graças ao apoio da associação humanitária católica «Ajuda à Igreja que Sofre» (AIS), os deficientes mentais do Egipto ganham nova oportunidade de sair da condição de isolamento e marginalização em que tão frequentemente se encontram na sociedade.
A associação já disponibilizou mais de 15 mil euros e prometeu outras formas de auxílio para a construção de um edifício que possibilitará à «Comunidade Al-Fulk de Minia» transferir-se do deserto para a cidade, aspecto fundamental na integração das pessoas assistidas.
«Não podemos integrar as pessoas na sociedade se vivemos no deserto», destaca Magdi Asham Henein, da Al-Fulk. «Com a ajuda da AIS, conseguimos comprar um terreno na cidade para a construção de um novo centro», explica.
De acordo com Heinen, a comunidade nasceu da «grande necessidade» de apoio às pessoas com deficiência mental no Egipto. «Há dez anos, estas pessoas eram segregadas pela sociedade. Ninguém compreendia a natureza das deficiências mentais, que era tida como um castigo de Deus», afirma.
A comunidade tem uma oficina onde as pessoas com deficiência mental produzem velas, e recebem um salário no final da semana pelo trabalho.
De acordo com os responsáveis pelo projecto, as mudanças ocorridas na vida destas pessoas e de suas famílias constituem verdadeiras ressurreições. «A sociedade também mudou sua atitude, e, portanto, há uma ressurreição tanto para a pessoa quanto para a sociedade», acrescentam.
Para Henein, com a nova sede, as pessoas atendidas poderão ter vida social, «visitando outras pessoas e fazendo compras nos mercados», por exemplo.
A Al-Fulk (que significa A Arca, em referência à arca de Noé) está sob os cuidados da «Igreja Católica Copta» da Diocese de Minia e é um símbolo de união, uma vez que católicos e ortodoxos vivem juntos na mesma casa, e esperam receber, num futuro próximo, também muçulmanos.
«Os muçulmanos são maioria, mas nosso trabalho ainda não é muito conhecido entre eles», constata Henein. «No futuro, porém, Al-Fulk poderá ser uma ponte para unir cristãos e muçulmanos, bem como outros projectos sociais promovidos pela Igreja no Egito», concluiu.
(RONNY MARINOTO)