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Nigéria: Arcebispo nega violência religiosa
10 de Março de 2010

O arcebispo de Abuja, Dom John Olorunfemi Onaiyekan, afirmou em declarações à «Rádio Vaticano» que a violência que vitimou mais de 500 pessoas no Estado nigeriano de Plateau no início da semana não teve origem religiosa e sim étnica.

 

«A imprensa internacional é facilmente levada a dizer que são os cristãos e os muçulmanos que se matam, mas este não é o caso, porque não se mata por causa da religião, mas por reivindicações sociais, económicas, tribais e culturais», explicou o sacerdote.

 

No domingo, 7 de Março, pastores nómadas de etnia fulani e religião muçulmana atacaram as aldeias de Dogo Nahawa, Ratsat e Zot, próximas da cidade de Jos, cujos habitantes são maioritariamente de etnia berom e religião cristã.

 

Segundo Dom John, «trata-se do antigo conflito entre pastores e agricultores, mas os fulani são todos muçulmanos e os berom são todos cristãos».

 

Ainda de acordo com as declarações do arcebispo, o governo é «muito fraco» e parece não ter capacidade de garantir a segurança de todos os cidadãos. «Em Jos os dois grupos se misturam e a rivalidade para controlar as terras é mais forte que em outros lugares», disse.

 

«Os fulani, pastores itinerantes de gado, são encontrados em toda Nigéria, mas não se dizem proprietários das terras. Já em Jos, por outro lado, pretendem ser», feriu o prelado.

 

De acordo com o Arcebispo de Abuja, um dos factores que não favorece a paz é a facilidade com que as armas circulam pela região, devido às guerras e à violência no país. «É muito fácil encontrar pessoas dispostas a combater apenas por um punhado de dólares», afirmou.

 

Diante dessa situação, a Igreja continua a trabalhar na promoção das boas relações entre cristãos e muçulmanos. «Buscamos chegar a um acordo para acabar com a violência e nos comprometermos juntos a enfrentar os problemas concretos, políticos e étnicos», anunciou Dom John.

 

«Rezamos pela paz, pelo bom governo, pela verdade e para que as pessoas reconheçam que a única maneira de sobreviver neste país é nos reconhecermos como irmãos e cidadãos», concluiu.

(RONNY MARINOTO)



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